Gestores e profissionais de saúde que trabalham nos hospitais Abelardo Santos e Santa Casa de Misericórdia do Pará participam, até a próxima quinta-feira (5), de uma capacitação voltada à implantação dos Centros de Atenção Humanizada à Mulher e a Adolescentes em Situação de Abortamento, promovida pela Coordenação Estadual de Saúde da Mulher, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). O encontro, realizado na Santa Casa, tem o objetivo de preparar os profissionais destas unidades que oferecem atendimento obstétrico em rotina de atenção humanizada, além de reduzir doenças e a mortalidade materna relacionadas ao aborto no Estado. Eles debatem temas como sensibilização em direitos sexuais e reprodutivos, e procedimentos de atenção pós-aborto.
Segundo a coordenadora estadual de Saúde da Mulher, Conceição Carneiro, a capacitação reforça as ações de promoção ao acolhimento adequado de mulheres que, na maioria das vezes, chegam aos dois hospitais em estado grave por consequência de aborto. “São diversas as causas de aborto, mas a principal é oriunda de procedimentos clandestinos. Nossa grande preocupação está nas mulheres da parcela mais carente da população, que buscam soluções de maneira inadequada, comprometendo sua saúde. Daí a importância de melhorar a atenção a estas mulheres, para que não fiquem com sequelas”, afirmou.
No primeiro dia do evento foi apresentado o projeto dos Centros de Atenção Humanizada e elaborado um diagnóstico situacional participativo, para definição de um plano. As palestras são ministradas por Leila Adesse, diretora da organização não governamental Ações Afirmativas em Direitos e Saúde (AADS), do Rio de Janeiro, que trabalha para reduzir o número de mortes e danos físicos provocados pelo aborto.
Leila Adessa disse que a parceria dos setores é fundamental para a eficácia das ações de prevenção à mortalidade materna, principalmente a provocada por aborto. “Temos que compartilhar estas informações e fazer valer a importância dos direitos da atenção de qualidade à saúde das mulheres”, completou.
MORTALIDADE
As causas mais frequentes de mortalidade materna são as doenças hipertensivas na gravidez, hemorragias, infecções e abortos, chamadas de causas diretas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 98% destas mortes poderiam ser evitadas se as mulheres tivessem boas condições de vida e atenção à saúde adequada. No Pará, de 2006 a 2013, ocorreram 68 óbitos em decorrência de aborto - a maioria das mulheres com idade entre 10 e 19 anos.
Segundo a obstetra e consultora da Sespa, Neila Dahas, 30% dos casos de aborto no Pará envolvem adolescentes, a maioria atendida na Santa Casa. “Algumas nem conseguem chegar ao hospital pela gravidade da situação. A partir da capacitação, podemos garantir atendimento humanizado a essas mulheres”, disse ela.
(Agência Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar