Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizam hoje um ato público no município de Santa Luzia do Pará, nordeste paraense, para relembrar o assassinato do líder do movimento José Valmeristo Soares, mais conhecido como 'Caribé', morto em uma emboscada há três anos, em 3 de setembro de 2010.
'Caribé' liderava um acampamento dos sem terra na fazenda Cambará, a 28 quilômetros da sede do município, onde 124 famílias de agricultores residem atualmente. Ele foi morto por dois pistoleiros supostamente a mando de Marcos Bengtson, filho do pastor evangélico e deputado federal Josué Bengtson (PTB). O acusado de ser mandante do crime chegou a ser preso, mas atualmente acompanha o processo em liberdade.
Neste ato público, os militantes do MST pedem agilidade da justiça no andamento do processo que acusa o mandante e os dois pistoleiros do crime. "Já são três anos da morte do Caribé e até agora o processo não andou", diz o militante Ulisses Manaças, coordenador do MST no Pará.
"É importante que esse caso seja acompanhado de perto porque se trata do que nós chamamos de uma violação exemplar de direitos humanos. É um trabalhador rural assassinado a mando de pessoas ligadas a uma estrutura de poder e que, por isso, acaba tramitando muito lentamente na justiça", diz a advogada Anna Lins, coordenadora do Programa Cidadania e Acesso à Justiça da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH).
Além do andamento do processo que apura a morte do agricultor, o ato público pede também celeridade no processo de desapropriação da fazenda Cambará para que a acampamento no local seja transformado em assentamento de reforma agrária. "Já existe um parecer favorável do Incra para a criação do assentamento. Foi confirmado que essas terras pertencem à União e não eram propriedade dos Bengtson. Falta apenas o decreto de desapropriação", diz Manaças.
O DOL entrou em contato com a Coordenadoria de Imprensa do Tribunal de Justiça do Pará solicitando informações sobre o processo e aguarda uma resposta.
(Jones Santos/DOL)
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