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Pará perdeu 463 leitos na saúde pública

A rede pública de saúde do país perdeu quase 13 mil leitos entre janeiro de 2010 e julho deste ano. No Pará, onde já são poucos, foram fechados 463 leitos. Belém, ao contrário, ganhou 74 novos leitos. Os números foram divulgados pelo Conselho Federal de M

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A rede pública de saúde do país perdeu quase 13 mil leitos entre janeiro de 2010 e julho deste ano. No Pará, onde já são poucos, foram fechados 463 leitos. Belém, ao contrário, ganhou 74 novos leitos. Os números foram divulgados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde. Os dados, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (CNES), incluem leitos de internação (ambulatoriais) e complementares (UTI).

As especialidades mais atingidas com o corte foram a psiquiatria (com perda de 7.449 leitos), a pediatria (5.992), a obstetrícia (3.431) e a cirurgia geral (340). Os estados do Sudeste e Nordeste foram os que mais sofreram redução. No Rio de Janeiro, por exemplo, 4.621 leitos foram desativados desde janeiro de 2010. Minas Gerais perdeu 1.443 leitos e São Paulo perdeu 1.315. No Maranhão, o corte chegou a 1.181.

O Ministério da Saúde divulgou uma nota explicando que a maior parte dos leitos fechados foi de psiquiatria, o que ocorreu em função da adoção da nova política, que não prioriza a hospitalização de pacientes com agravos de psiquiatria.

UTI

Para o ministério, a avaliação do Conselho Federal de Medicina não considerou o contexto da redução de leitos. A pasta informou que, entre 2007 e 2013, houve aumento de 63% no número de leitos de UTI no país, que passaram de mais de 11,5 mil para 18,8 mil e são voltados para pacientes em estado grave.

A pasta também explicou que houve ampliação nos programas de vacinação, o que diminuiu o número de crianças internadas e, consequentemente, a necessidade de leitos na área.

O Ministério da Saúde também destacou a criação do Programa Melhor em Casa, que oferece atendimento domiciliar com equipe multidisciplinar e o reforço na atenção básica e nas Unidades de Pronto Atendimento, ações que, de acordo com a pasta, reduzem a necessidade de leitos para internação.

Mas o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila, não aceita a explicação do ministério. Para o médico, os dados revelam, de forma contraditória, o favorecimento da esfera privada em detrimento da pública na prestação da assistência à saúde.

“Estes números são apenas uns dos desdobramentos do subfinanciamento público no Brasil, principal responsável pelas dificuldades do SUS. Convocar mais médicos e oferecer menos leitos me parece uma contradição. Isso é jogar sob a responsabilidade dos médicos esse cenário de abandono do sistema público de saúde”.

(Diário do Pará)

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