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Servidores realizaram novo protesto no PSM

Instalados na entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, os servidores municipais de saúde protestaram, mais uma vez, pelos graves problemas que vêm enfrentando não apenas no PSM, como em todo o serviço de saúd

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Instalados na entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, os servidores municipais de saúde protestaram, mais uma vez, pelos graves problemas que vêm enfrentando não apenas no PSM, como em todo o serviço de saúde de Belém. Em uma manifestação titulada de ‘Ato Público em Solidariedade ao PSM da 14’, médicos, técnicos e demais servidores exigiam resposta às reivindicações apresentadas ainda no início da semana. De acordo com a presidente da Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém, Rosana Oliveira, desde a primeira paralisação realizada pela categoria na última segunda-feira, os problemas no PSM da 14 só pioraram. “Nada mudou, só piorou. Está faltando filme para a radiologia e o aparelho só vai poder funcionar na terça-feira.

O tomógrafo e o elevador continuam parados, os maqueiros continuam carregando os pacientes pela escada”, reitera, ao apontar problemas já denunciados no início da semana. “A única coisa que a secretaria faz é pedir prazos, mas estamos aguardando prazos há muito tempo. Demos o prazo de 72h para que sentassem com a categoria para conversar e esse prazo acabou ontem”.

GREVE

Ainda que a categoria já venha reclamando das situações de trabalho há bastante tempo, Rosana não sinaliza a possibilidade de greve da categoria, questão debatida apenas em assembleia. Segundo ela, o ato realizado ontem tinha o objetivo de pressionar os órgãos responsáveis. “É muito cedo para falar em greve. Esse é um ato de denúncia, para pressionarmos o Ministério Público e os Conselhos de Enfermagem e Medicina”, apontou. “Queremos pressionar o movimento a fazer alguma coisa porque não dá para ficar do jeito que está”.

Enquanto os médicos denunciavam através do carro-som a ausência de material e medicamentos não apenas no PSM da 14, como também no Hospital de Pronto-Socorro Municipal Humberto Maradei, no Guamá, a doméstica Graciete do Socorro constatava alguns dos problemas. Acompanhante da irmã Geiseane de Nazaré Oliveira de Araújo, de 34 anos, internada no PSM da 14 desde sexta-feira com um corte no pé, Graciete afirma que falta medicamento no local. “A minha irmã é diabética, tem problema renal e está desde sexta-feira aí com o pé cortado esperando um leito em um hospital que ela possa se operar”, informou. “A situação está triste aí dentro. Não tem remédio. Ela só está tomando alguns, mas os principais que ela precisa tomar não tem”.

Para além da falta de remédios, Graciete afirma que ainda teve que procurar, às pressas, outra maca para instalar a irmã durante a madrugada. “Ela está na enfermaria, mas de madrugada a maca que ela estava quebrou porque tava muito velha e eu tive que correr atrás da médica pra conseguir outra”, contou. “Tá arriscado a minha irmã perder o pé porque ele já está todo roxo e ninguém consegue leito e além de esperar a gente ainda tem que ficar passando por essas coisas. Tá muito ruim aí dentro”.

Sesma diz que atendimento foi garantido

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que, apesar da paralisação de alguns funcionários, o atendimento de urgência e emergência foi mantido.

“Os procedimentos médicos foram garantidos por 30% dos servidores”, declarou a nota. A Sesma informa ainda que o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, irá receber uma comissão da associação dos servidores na próxima terça-feira para também ouvir as reivindicações. Sobre o elevador e o tomógrafo, a secretaria informou que estes passam por manutenção, mas os pacientes que precisam fazer o exame são encaminhados para hospitais conveniados à rede do SUS. Já sobre a paciente Geiseane de Nazaré Oliveira de Araújo, a Sesma diz que ela já estava sendo transferida para outro hospital e apenas aguardava a liberação do médico.

Greve será decidida na segunda

Os servidores do Pronto-Socorro Mário Pinotti que pararam ontem decidem na próxima segunda-feira (9) se farão greve da categoria. Assembleias internas serão realizadas nos turnos da manhã, tarde e noite, e caso a maioria opte para paralisação, será definido estado de greve por 72h.

Ontem, com a paralisação de 12h iniciada às 7h e finalizada às 19h, foi divulgada a campanha “SOS Pronto-Socorro”. “É uma campanha de solidariedade, para que a população comece a exigir melhorias, faça cobranças junto com os servidores”, explica Rosana Oliveira, presidente da Associação dos Servidores da Saúde do Município de Belém.

Por três vezes a travessa 14 de Março foi bloqueada pelos servidores que pedem melhorias estruturais, como o conserto do tomógrafo, elevador e aparelho usado para esterilização de materiais. Os profissionais da saúde querem também isonomia no vale alimentação de R$ 220, e gratificação HPSM, que varia de um salário mínimo à R$ 1.500, dependo do nível de escolaridade.

Na segunda-feira (2) os servidores do Pronto-Socorro fizeram paralisação de 12h e entregaram à noite uma pauta de reivindicações à direção do PSM, que deveria ser encaminhada ao prefeito Zenaldo Coutinho.

A associação foi informada por telefone, pela secretária interina da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) que o prefeito vai reunir com os servidores do PSM da 14 de Março na próxima terça-feira (10), em horário a ser definido. “Ele não nos recebeu e não temos nenhum documento oficial por escrito, não temos garantia nenhuma”, rebate Oliveira.

Na paralisação, de acordo com a presidente da Associação, todas as categorias pararam, menos os médicos. “Já tem umas categorias que não estão trabalhando e estamos com pouco efetivo. Desde a semana passada a equipe de neurocirurgia não está atendendo”. Paralisaram psicólogos, assistentes sociais, técnicos em enfermagem e enfermeiros. O PSM Mário Pinotti dispõe de quadro hospitalar de 1.100 funcionários, sendo 750 efetivos.

(Diário do Pará)

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