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Data registrou 449 desaparecimentos em 2013

Um adolescente de 16 anos saiu de casa alegando que queria “conhecer o mundo”. Depois de fugir, duas pessoas, ao contrário do que ele esperava, lhe negaram abrigo. Dois dias depois, o jovem se viu obrigado a voltar para os pais. Hoje, ele e sua família pa

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Um adolescente de 16 anos saiu de casa alegando que queria “conhecer o mundo”. Depois de fugir, duas pessoas, ao contrário do que ele esperava, lhe negaram abrigo. Dois dias depois, o jovem se viu obrigado a voltar para os pais. Hoje, ele e sua família passam por acompanhamento psicológico para buscarem uma reintegração mútua.

O caso é apenas um dos 449 registrados pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), da Polícia Civil, apenas este ano. Ao contrário do que se pode imaginar, a maioria dos adolescentes desaparecidos não é vítima de sequestro.

Os conflitos familiares e a falta de proximidade entre pais e filhos são os principais fatores que levam adolescentes a saírem de casa. Apenas este mês, a Data registrou o desaparecimento de 18 adolescentes. Sete foram encontrados. Para muitos pais, o ato de fugir de casa é injustificável e difícil de ser compreendido em um primeiro momento.

“Os pais chegam falando que dão tudo, não deixam faltar nada, e não entendem o porquê de o jovem estar fazendo isso. Porém, o que a gente percebe é que muitos pais estão preocupados apenas em cobrar posturas dos filhos. Não se preocupam em conversar, saber com quem andam, para onde vão, orientar mesmo. Há uma distância muito grande entre o adolescente que fugiu de casa e seus familiares”, explica o diretor da Data, delegado Marcos Fabiano Amazonas.

Segundo o delegado, as desavenças familiares vão de conflitos envolvendo a sexualidade dos jovens até relacionamentos desaprovados pelos pais. “Principalmente no caso da fuga de uma menina, pode haver um adulto aliciando e estimulando-a a sair de casa. Em muitas situações, o adulto mantém relação sexual e depois a dispensa. Nós investigamos também para responsabilizar criminalmente o maior envolvido nessas situações”, afirma. Para Marcos Fabiano, a melhor forma de prevenção é o fortalecimento, desde cedo, de um laço de amizade honesto entre pais e filhos.

Orientação

Ao contrário do que o senso comum afirma, não existe prazo delimitado para comunicar o desaparecimento de um adolescente à polícia. “Essa história de que só pode comunicar depois de 24 horas é mito. Se o adolescente está fora de casa e os pais não sabem onde ele pode estar, ele já pode ser considerado desaparecido. Qualquer delegacia da Polícia Civil tem por obrigação atender e registrar a ocorrência. Depois o caso é encaminhado para a gente. O ideal é que se faça isso logo, com o máximo de informações possíveis, como telefones, nomes e endereços de conhecidos. Tudo isso ajuda na investigação”, explica o diretor.

Dos 449 adolescentes desaparecidos este ano, a Polícia Civil já reencontrou 409. A investigação conta com a ajuda de outras instituições, como o Conselho Tutelar e a imprensa. Depois de reencontrados, os adolescentes são encaminhados à Data para que sejam avaliadas as causas do desaparecimento, seus motivos e se há responsabilidade criminal de algum maior que pode ter motivado o ato. Através do site data.policiacivil.pa.gov.br, a Data também dispõe informações de casos atualizados regularmente para que o público possa ajudar nas investigações.

(Diário do Pará)

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