Os servidores municipais que trabalham no Centro Psicossocial Álcool e Drogas Casa AD, na avenida Almirante Barroso, interditaram ontem a via para denunciar as péssimas condições em que o local se encontra.
Segundo eles, a estrutura precisa de revitalização e na farmácia da unidade não há medicamentos para os pacientes. Equipamentos, mesas e cadeiras estão quebrados. Eles se queixam ainda da ausência de um gestor para fazer o estabelecimento funcionar.
Eram por volta das 9h quando os servidores começaram a pendurar as faixas e cartazes em frente ao prédio da Casa AD. Segundo a assistente social Ester Sousa, o espaço não recebe melhorias e investimentos há muitos anos e deveria ter estrutura para funcionar em regime de 24 horas por dia e não apenas em horário comercial. “Estamos há oito anos em situação de abandono”, colocou a servidora, que representa o movimento.
A farmácia da unidade é um dos pontos mais críticos, segundo denunciam. As prateleiras estão quase todas vazias. Medicamentos estão em falta, tem apenas preservativos. As salas de atendimento psicológico não são climatizadas, os pacientes não conseguem suportar o calor, segundo denunciam. “A Prefeitura de Belém paga um aluguel de uma casa que não funciona”, frisa a assistente social. O valor do aluguel seria de R$ 6 mil por mês.
Direção
Ester reclama que nem diretor ou coordenador a Casa AD possui. Ela conta que no Diário Oficial do Município do último dia 5, foi publicado o nome de uma enfermeira que é a nova diretora da casa de saúde mental, mas até agora ela não teria marcado presença na unidade.
“Nós atendemos pessoas em recuperação de drogas ilícitas e álcool e que precisam de atendimento psicossocial. As famílias deles também precisam de acompanhamento, mas não temos estrutura. Recursos têm porque o governo federal envia, ele só não chega até aqui”, acusou Ester.
Às 10h30, os servidores obstruíram a Almirante Barroso para chamar a atenção do poder público. O ato ganhou reforço dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que estão em greve por melhores condições de trabalho. O bloqueio durou cerca de meia hora, o suficiente para gerar engarrafamento, e terminou de forma pacífica. A Polícia Militar (PM) foi acionada para liberar a via. Não houve tumultos.
Resposta
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que o processo de aquisição de medicamentos controlados está em andamento e que a situação deve ser normalizada até o final da próxima semana.
Sobre a aquisição de alimentos, a Sesma diz que está em andamento processo licitatório para suprir a demanda.
“Quanto aos aparelhos de ar-condicionado nas salas dos psicólogos, a Secretaria está em processo de contratação de uma empresa de refrigeração, no qual deverá ser concluído, também, até o final da próxima semana”, diz a nota.
A secretaria afirma ainda que a Casa AD deverá prestar atendimento 24 horas, quando passar a ser o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) III, o que acontecerá quando órgão mudar de prédio.
Sobre a denúncia da falta de diretor, a Sesma garante que irá apurar “os fatos relatados”.
(Diário do Pará)
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