O projeto de descer os Andes divulgando a sustentabilidade como forma de preservação ambiental entre comunidades ribeirinhas da América do Sul deu certo. 333 dias depois a Expedição Barco Íris chegou ao seu destino. Vencidas as águas da Amazônia Equatoriana, Peruana e Brasileira, quatro tripulantes ancoraram em Belém, sexta-feira (13). A embarcação está na Marina Pública de Belém, bairro da Condor. “Enfrentamos tempestades, tormentas, o desconhecido, mas chegamos. Decidimos que chegaríamos o mais próximo possível do encontro das águas e com segurança o ponto escolhido foi Belém”, diz a jornalista brasileira Henny Freitas , uma das idealizadoras do projeto que surgiu em janeiro de 2012 durante uma conferência ambiental na Colômbia.
Entre os 500 participantes, 25 aventureiros resolveram pôr no papel o que seis meses depois seria a Expedição Barco Íris. A ideia era construir uma embarcação a partir de materiais recicláveis. Eles partiram da cidade de Coca, Província de Orellana, bem abaixo da Cordilheira dos Andes, no Equador. Foram mais de 280 dias para chegar até a primeira cidade Brasileira, Tabatinga, no Amazonas utilizando um barco trimarã com capacidade para 4 toneladas construído manualmente a partir de bambu, palha, madeira, garrafas pets, ‘carotes’ de 20 litros e camburões. Toda a sustentação é feita pelos 21 tambores feitos de plástico fechados a vácuo. A maior parte da viagem foi impulsionada pelo vento tendo como ‘comandante’, o australiano Carleton Vaux, o Kali. “Precisei saber ser músico, carpinteiro, engenheiro, comandante, uma experiência única”, revela o tripulante. Pelo projeto, a sustentabilidade se faz desde a construção do meio de transporte até a forma de transmissão da mensagem para as comunidades. “Não tínhamos como falar de consciência ambiental sem praticá-la nós mesmos”, diz Henny.
O barco ecológico conta com um fogão a lenha, uma pequena horta orgânica com plantas medicinais e um banheiro ecológico. Um coletor rústico ajuda a colher a água da chuva que é aproveitada para consumo e na preparação de alimentos.
Além do casal Henny e Kali, o colombiano Xuan Manosalba e a inglesa Clarissa Hutchinsol formam os tripulantes da fase final da aventura que cortou nove municípios paraenses antes de chegar a Belém. Uma mascote também acompanha o grupo desde a fase de construção da embarcação, a cadela Mika.
O grupo contou com doações e parcerias locais. A realização de oficinas, visitações, cinema e outras programações culturais foram conseguidas através de parcerias com organizações não governamentais e algumas prefeituras. “Para mim, o maior benefício desse projeto é sem dúvida o contato com as pessoas. Foi muito importante viver, aprender e compartilhar experiências”, diz Henny. De Belém a tripulação retornará à São Paulo onde planeja montar uma exposição de fotos e vídeos da viagem. O destino da embarcação, que ficará em Belém, ainda não foi decidido.
(Diário do Pará)
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