Já foram ouvidas nesta quinta-feira (19) as primeiras testemunhas do quarto julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, apontado como o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, no dia 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, sudoeste paraense.
A novidade deste julgamento foi o depoimento de Fernando Luiz da Silva Raiol, policial federal afastado por suspeita de envolvimento em irregularidades na corporação, que falou pela primeira vez em defesa de Vitalmiro. Como testemunhas de acusação, foram ouvidos o delegado Waldir Freire, que presidiu o inquérito em 2005, Roberta Lee Spires (irmã Rebeca) e um servidor público, à época do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A defesa sustenta a tese de que Bida é inocente e não tem envolvimento com o crime. Segundo a defesa, Vitalmiro teria sido incriminado pelo delegado Marcelo Luz, responsável pela Polícia Civil de Anapu na época do crime, pois Marcelo cobrava propina dos fazendeiros para proteger as terras da invasão dos agricultores defendidos por Dorothy. Vitalmiro teria se recusado a pagar o dinheiro pedido pelo delegado.
A defesa afirma ainda que a arma do crime foi entregue pelo delegado para Amair Feijoli, o Tato, para que ele pudesse se defender de Dorothy e, na tentativa de livrar-se da acusação de envolvimento no assassinato da freira, teria incriminado Bida. A defesa de Bida alega que o verdadeiro mandante do crime é Tato, que já foi condenado a 18 anos de prisão por envolvimento na morte da missionária.
Após cerca de 40 minutos para intervalo de almoço, os depoimentos foram retomados e o tribunal continua ouvindo outras testemunhas. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Pará (TJ/PA), a sessão deve chegar a algum resultado até a meia-noite.
(DOL)
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