O dia foi escolhido por marcar o início da primavera e a promessa de vida e de bons frutos. Amanhã, 21, será comemorado o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Na APPD (Associação Paraense das Pessoas com Deficiência) existem cerca de 18 mil associados. Segundo Ney Gil Souza, presidente da APPD, são aproximadamente 300 mil paraenses que convivem com algum tipo de limitação especial.
Integrando a programação do dia, haverá uma caminhada, pela manhã, que partirá da APPD, na Avenida Magalhães Barata, até o Complexo Arquitetônico de Nazaré (CAN). Para Ney Gil, longe de ser uma data comemorativa, o momento é de reflexão e uma oportunidade para pensar nos grandes obstáculos que precisam ser superados.
Um dos principais pontos que serão discutidos amanhã é a chamada Lei da Acessibilidade, 5296/2004, que deveria entrar plenamente em vigor a partir do ano que vem. “O prazo está acabando e nós percebemos um desrespeito generalizado à Lei. Ela não delimita apenas a adequação de complexos arquitetônicos, mas democratiza toda a estrutura física da cidade às pessoas com qualquer tipo de limitação.Infelizmente, o que nós percebemos é um descaso do poder público em relação à fiscalização e cumprimento desta Lei”, comenta Ney Gil.
Para ele, garantir o exercício da cidadania plena e renovar o compromisso com a igualdade, apesar de limitações aparentes, deve ser uma meta comum de toda a sociedade. “As diferenças são naturais, o que não é natural é a desigualdade. É necessário acabar com o preconceito e abrir um canal de discussão para falar sobre deficiência de forma clara. Alguns pais que têm filhos com algum tipo de deficiência, por exemplo, procuram ignorar isso e isolar a criança. É como se só existisse deficiente adulto. As pessoas precisam vencer esses julgamentos e perceber que todos têm algum tipo de limitação”, completa.
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