O vereador Pedro Souza (PPS) estuda apresentar um projeto que vai dar o que falar em Marabá. Ele quer propor uma cota para travestis nas empresas instaladas no município, como forma de inserir essa parcela da sociedade no mercado de trabalho. A ideia encontra resistência dentro e fora da Câmara Municipal.
Segundo Pedro Souza, os gays e as lésbicas não têm tanta dificuldade de se inserir no mercado de trabalho porque não se vestem de forma diferente do padrão imposto pela sociedade. Mas no caso dos travestis a realidade é bem diferente.
Além de enfrentar problemas em casa, porque a maioria dos pais não aceita ter um filho travesti, a pessoa dificilmente encontra vagas de emprego no comércio ou em outros setores da economia formal.
“Com muita sorte, o travesti acaba encontrando emprego em salões de beleza, mas quando não, acaba se prostituindo. É com essa realidade que estamos preocupados”, declarou o vereador Pedro Souza, que apresentou um relatório com dados da violência contra homossexuais no Brasil.
Pedro diz que após seu pronunciamento na Câmara sobre o assunto, recebeu vários telefonemas lhe elogiando pela iniciativa, de diversas partes do País, sobretudo de municípios onde já existem leis semelhantes.
Questionado sobre a reação da Câmara Municipal em relação ao assunto, Pedro Souza disse que há uma clara divisão, pois a Câmara Municipal é muito heterogênea. Mas o vereador sabe que precisará de outros parlamentares para assinar o projeto conjuntamente.
Por outro lado, dois vereadores, que pediram para não ser identificados, disseram que o vereador deveria se preocupar com outras questões, deixando claro que não assinarão um possível projeto neste sentido.
SINDICOM É CONTRA
Ouvido pelo jornal, o presidente do Sindicato do Comércio de Marabá (Sindicom), Paulo César Lopes, disse que não é a favor da criação de cotas, independentemente de que parcela da sociedade elas pertençam.
Paulo Lopes deixa claro que não vai julgar ou avaliar a opção ou orientação sexual de ninguém, mas o que se preserva hoje é que sejam encaixados nos postos de trabalho pessoas que atendam o perfil a que se destinam as vagas, independentemente de questões particulares.
A opinião dele se justifica pelo fato de que hoje existe o exército de jovens em Marabá e no Pará, como um todo, de modo que não seria o momento adequado para começar a se estipular cotas para esse ou aquele segmento da sociedade, mas seria o momento de inserir no mercado os profissionais mais qualificados e preparados.
(Diário do Pará)
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