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Engarrafamento já faz parte da rotina na BR-316

Há sete anos, sempre que o administrador Gilson Brás precisa sair de casa ele já sabe o que lhe espera. Dependente da Rodovia BR-316 para se locomover até o trabalho, o morador do município de Ananindeua já está acostumado com o engarrafamento, ou quase.

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Há sete anos, sempre que o administrador Gilson Brás precisa sair de casa ele já sabe o que lhe espera. Dependente da Rodovia BR-316 para se locomover até o trabalho, o morador do município de Ananindeua já está acostumado com o engarrafamento, ou quase. “Por mais que a gente já saiba que vai enfrentar isso e que passe por esse engarrafamento todo dia, é impossível não se estressar”.

Com a perspectiva de um compromisso pela parte da tarde, as preocupações com a hora surgem ainda pela manhã. Sabendo da necessidade de enfrentar a rodovia famosa pelo congestionamento constante, a apreensão é inevitável. “Minha mulher precisa ir ao médico às 14h para fazer um exame e desde a manhã já cria aquela expectativa de ter que sair cedo, de saber que vai ter que enfrentar a BR”, comenta em uma rápida parada no posto de gasolina, ainda com um longo congestionamento pela frente. “A gente espera sair de casa e chegar no trabalho bem, mas não é assim. Só de ver o tamanho do engarrafamento já dá um desânimo. A partir das 6h já não tem mais condições de trafegar na BR”.

Mototaxista em um ponto instalado em um dos trechos iniciais da rodovia, Edvaldo Barbosa conhece bem os horários do trânsito no local, ainda que os intervalos de maior tranquilidade se estreitarem cada vez mais com o passar do tempo. “Começa lá pelas 6h. Só lá pra 9h15 é que fica um pouco mais tranquilo. Mas, mesmo assim, não fica essa maravilha não. Não tem mais hora pra esse engarrafamento”, garante, sem esconder a naturalidade com que acompanha a extensa fila de carros parados à sua frente. “É normal. Piora ainda mais quando esses semáforos dão problema, aí é que piora para o usuário”.

Enquanto o congestionamento se transforma em um grande obstáculo para os clientes, para os mototaxistas, segundo Edvaldo, há vantagens na rotina caótica do trânsito da via que interliga a capital à Região Metropolitana. Em dias de engarrafamentos mais intensos, o número de corridas pode chegar a 25, enquanto não passam de 15 em dias de maior fluidez. “É complicado pra todo mundo, mas pra gente é vantagem porque a moto é mais rápida”, constata. “Quando tá muito travado mesmo tem gente que deixa o ônibus pra ir de mototaxi”.

Para o taxista Luiz Sérgio Júnior o quadro se inverte. Ainda da janela do táxi parado no ponto instalado no sentido da entrada de Belém, o cliente negocia o preço. Para retornar a Ananindeua, até o retorno mais próximo, a fila parada de carros encarece a negociação. “Mas eu vou ter que fazer aquele retorno. Olha o engarrafamento que está! Não tem como fazer preço menor para o senhor”.

Com a corrida perdida por mais um dia de carros parados uns ao lado dos outros, Luiz Sérgio contabiliza os prejuízos impensados no início da carreira. “Antes tinha os horários de pico, agora é sempre. A gente perde muito tempo, gasta muita gasolina. Às vezes o cliente liga e a gente não consegue chegar, fica preso aqui”, enumera. “Quando a gente pega uma corrida que sabe que é pra BR, já sente aquele nervoso. Já sabe que só vai chegar de volta depois de uma hora, pelo menos”.

Invasão de acostamento gera 70 multas

Conforme o tempo vai passando, a agonia dos motoristas se torna aparente mesmo para quem observa o fluxo de carros da rua. Não raro, há quem desvie pelo acostamento, suba na calçada, ‘aproveite’ o início do sinal vermelho. De acordo com o inspetor e chefe da 1ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Weverton Mesquita, por dia, mais de 70 notificações são expedidas a motoristas que trafegam pelo acostamento. “Trafegar pelo acostamento é a infração mais comum e é cometida principalmente por micro-ônibus e vans que fazem o retorno na BR para pegar a (avenida) Augusto Montenegro”.

Responsável pelo trecho da BR-316 que vai do Entroncamento até o Maranhão, o inspetor destaca que é em Ananindeua que se encontra o perímetro mais crítico. “Nesse trecho de 276 km, temos cinco postos da PRF, cada uma com uma equipe fazendo ronda ostensiva”, adianta. “Intensificamos do Km 0 ao Km 10 porque é o trecho mais complicado e de bastante congestionamento”.

Ainda que a percepção seja evidente para os motoristas que trafegam a mais tempo pela rodovia federal, Weverton confirma, o trânsito na BR só piora com o passar dos anos. “Antes os horários de pico eram de 7h às 10 e de 17h às 20. Mas agora o trânsito só começa a se acalmar após as 21h”, afirma. “É o dia inteiro de engarrafamento na rodovia e, com isso, as equipes ficam sobrecarregadas”.

(Diário do Pará)

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