Aos 58 anos, a conclusão do curso de direito e a precoce aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deram a Luiz Otávio Jorge a certeza que nunca é tarde para começar. “Eu estava há 35 anos sem estudar e resolvi fazer o curso de direito. Era uma aspiração antiga minha, mas como trabalho longe, não dava”, conta o advogado, que na época de faculdade residia em São João de Pirabas e estudava em Castanhal.
Os 140 quilômetros eram percorridos na ânsia de realizar um sonho antigo: adquirir conhecimento e consolidar uma carreira. “Eu pensava que ia me formar na idade em que muitos estão prestes a se aposentar. E eu ali, começando uma nova etapa”, compara. O apoio foi fundamental para que Luiz Otávio concluísse a graduação.
A oportunidade que não teve na juventude veio depois dos 50 e Luiz Otávio teve fôlego para dar continuidade ao desafio de estudar e seguir para uma nova fase profissional, tornando-se um exemplo para pessoas de todas as idades. Por isso mesmo, a história de seu Otávio faz parte da série de matérias ‘Agente do Bem’, que o Projeto Orgulho de Ser do Pará publicará ao longo de 45 dias no jornal DIÁRIO DO PARÁ e RBATV. Ao todo, serão 24 matérias, tratando do universo da terceira idade e também das pessoas com deficiência no Estado - ressaltando contextos de urbanidade e ações positivas de personagens inspiradores e agentes que promovem a inclusão e o acesso a direitos e à cidadania.
Incentivando indivíduos que possam se engajar em ações para construir uma cidade melhor, combatendo problemas que estão ao alcance dos cidadãos, para muito além da intervenção do poder público, o Grupo RBA está em campanha para formar um exército de ‘Agentes do Bem’ que transforme o Pará num estado mais civilizado e humano.
Viver mais
O investimento de Luiz Otávio na carreira jurídica vai além do conhecimento e da realização: representa um sonho. Os retornos financeiros ainda não são grandiosos, mas ele não desanima. “Tô começando agora e ainda não há grande mudança na minha vida”, analisa. Atualmente, o advogado está atuando na área de assessoria jurídica. “Novas oportunidades estão surgindo e instalei um escritório em São Félix do Xingu”, comemora.
O mais velho da turma foi exemplo de superação e conseguiu aprovação no exame do OAB quando ainda estava no 9º semestre. O cansaço da viagem do local de trabalho a Castanhal só não era maior do que a persistência. “Os passarinhos começavam a cantar e eu continuava estudando. Fiz curso preparatório para a OAB e me esforcei muito nas aulas de graduação”. A princípio os colegas de turma estranharam o “vovô”, mas depois deram o maior incentivo.
Luiz deixa o relato de quem alimentou um sonho por toda uma vida e fez questão de realizá-lo mesmo que tarde para os padrões. É o antes tarde do que nunca. “É só uma questão de vontade. Sacrifício houve muito”. Assim como o advogado, muitos outros maduros têm se dedicado ao estudo, trabalho, atividades extras, academia e relacionamentos. Não basta viver mais. Tem que viver bem.
Os brasileiros têm envelhecido mais. Em 1980, a expectativa de vida no Brasil era de 62,5 anos. Três décadas depois, subiu para 73,7 anos. Os dados fazem parte das Tábuas de Mortalidade IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que inclui também estatísticas do Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, do ano de 2010.
Com expectativa de vida de 77,3 anos, as mulheres vivem mais do que os homens, em média 7,1 anos. Na década de 80, a diferença comparada ao sexo masculino, era de seis anos. Para o IBGE, a justificativa é a maior exposição dos homens a mortes por causas externas, como homicídios, suicídios e acidentes de trânsito.
Esse acréscimo a mais na longevidade do brasileiro, para a doutora em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e professora da UFPA, Hilma Khoury, é reflexo das mudanças nos últimos 60 anos. “O mundo passou por muitas mudanças positivas que beneficiaram a saúde das pessoas de tal maneira a permitir-lhes viver mais tempo. Avanços científicos e tecnológicos tornaram possível as vacinas; os antibióticos; melhores condições de alimentação e saneamento. Com isso, diminui-se a mortalidade infantil e a mortalidade das mulheres durante e após o parto, bem como se aumentou a prevenção e o controle de inúmeras doenças”, lista. A consolidação de direitos trabalhistas também contribuiu para o aumento da expectativa de vida.
“O idoso de hoje é a geração que participou da revolução dos costumes na década de 1960 e que se beneficiou dos avanços científicos e tecnológicos”, ressalta Khoury. Dados de pesquisa realizada em Belém entre 2006 e 2007 coordenada pela professora mostram que de 471 idosos ouvidos, 20,8% ainda trabalhavam; 36,3% sustentavam suas famílias; 74,1% saíam sozinhos de casa; 45,8% saíam de casa três vezes ou mais por semana; 52,7% andavam de ônibus; 53,1% movimentavam conta bancária; 29,5% relataram não possuir qualquer problema de saúde e 55,2% referiram não ter limitação física.
A geriatra Carla Mércia Lobato considera que a expectativa de vida tem aumentado em todos os países e o Brasil não é exceção. “Antes se pensava que estava ligada ao nível de desenvolvimento socioeconômico dos países, mas esse fenômeno não é resultante do nível socioeconômico”, explica. A questão demográfica, a redução da mortalidade infantil, redução do número de filhos e desenvolvimento dos métodos diagnósticos são componentes que contribuem para alavancar a expectativa de vida dos brasileiros. “O Brasil vai ser em 2030 o quarto ou quinto país mais idoso do mundo”, antecipa.
Mas não adianta só ver os números da expectativa de vida aumentarem com o passar dos anos. Mais importante do que envelhecer, é envelhecer de forma saudável. “A prevenção começa desde muito mais cedo do que se imagina”, pontua a geriatra. Cuidados com a alimentação, hábitos saudáveis e diminuição do sedentarismo, ainda na juventude, são trampolim para uma vida idosa de qualidade.
(Diário do Pará)
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