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Crise e indefinições estão instaladas na Sesma

Um dos três S apresentados durante a campanha eleitoral como prioridades da gestão do atual prefeito Zenaldo Coutinho, a saúde tem se mostrado a área mais problemática da administração, não apenas pelos velhos problemas que o usuário já conhece, mas pelas

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Um dos três S apresentados durante a campanha eleitoral como prioridades da gestão do atual prefeito Zenaldo Coutinho, a saúde tem se mostrado a área mais problemática da administração, não apenas pelos velhos problemas que o usuário já conhece, mas pelas dificuldades de gestão. Em oito meses, a Secretaria Municipal de Saúde teve dois titulares. Desde o dia 27 de agosto, está sob o comando interino da enfermeira Selma Alves, que era a diretora geral da Sesma e chegou a ser cotada para ser efetivada no cargo, o que deflagrou nova crise no órgão.

Na segunda-feira, a prefeitura de Belém confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que Selma seria nomeada secretária. Vinte e quatro horas depois, o quadro mudou. A informação oficial é de que a enfermeira teria declinado do convite em razão de compromissos assumidos fora do Estado.

O DIÁRIO apurou, contudo, que o anúncio, que nem chegou a ser oficializado, causou mais uma crise interna na Sesma, levando a pedido de demissão coletiva de técnicos. Entre os demissionários estariam a diretora de urgência e emergência da Sesma, a médica Socorro Sarquis, e o diretor do Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, Raimundo Almada. Eles teriam alegado dificuldade no relacionamento com a quase secretária.

Diante da crise, na tarde de ontem, Selma chegou a dar um ultimato ao prefeito Zenaldo Coutinho. Ficará no cargo apenas mais uma semana. É o tempo que o prefeito tem para anunciar um novo titular da Sesma. A missão não será fácil. Nos últimos 30 dias, o prefeito sondou uma série de candidatos e de todos ouviu não.

Os problemas na Sesma foram agravados, segundo técnicos ouvidos pelo Diário, pelo modelo de administração implantado na atual gestão. “O secretário é um mero assinante de documentos. Quem vai assumir uma responsabilidade dessas se as decisões estão a cargo de terceiros?”, indagou uma fonte.

Na prática, a gestão da Sesma estaria a cargo do médico Ilcioni Pereira, concunhado de Zenaldo (ele é casado com uma irmã da mulher do prefeito). Oficialmente, Ilcione é apenas o diretor do programa “Cuidando da Gente”, que, segundo informações publicadas no site da prefeitura, teria como objetivo “levar os serviços socioassistencial e de saúde à população em situação de rua”. Na prática, contudo, o médico teria grande ingerência sobre a administração, que sofreria interferência também do secretário de administração, Augusto Coutinho, irmão do prefeito.

Ao assumir o cargo, Zenaldo foi buscar no Conselho Regional de Medicina o titular da Sesma. O escolhido foi o médico Joaquim Ramos, que deixou o cargo em junho. Na saída, Ramos reclamou da falta de verbas. Nas palavras do ex-secretário, o cenário na Sesma era “devastador”. Ramos foi substituído por Yuji Ikuta, que deixou o cargo no fim de agosto e desde então o cargo está oficialmente ocupado interinamente por Selma Alves.

A reportagem tentou contato, ontem à noite, com a assessoria de Comunicação do prefeito, mas não conseguiu.

Prefeitura ainda não tem nome definido

As dificuldades do município de Belém para manter secretários de saúde não são de agora. Nas últimas três gestões, a pasta foi uma das que tiveram maior rotatividade. Nos oito anos da gestão de Edmilson Rodrigues (de 1997 a 2004), foram cinco secretários. Duciomar Costa nomeou sete titulares para a pasta em oito anos e Zenaldo ainda nem concluiu o primeiro ano e já vai para o terceiro secretário, caso consiga convencer alguém a assumir a pasta. A média é de quase um secretário por ano.

A instabilidade na gestão e as crises internas tornam os problemas na saúde ainda mais graves e afastam as esperanças de uma solução. “A gente começa a negociar com uma pessoa, as coisas começam a andar, há uma troca e volta tudo à estaca zero”, diz o presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas do Pará, Luiz Paulo Mesquita. A entidade reúne cerca de 160 especialistas, incluindo os que atuam nos hospitais municipais. Nesta semana, a cooperativa ameaçou suspender os serviços por falta de pagamentos, o que significaria ter que adiar cirurgias. A paralisação foi evitada com a promessa de que a prefeitura pagaria salários atrasados desde 2011, que somariam R$ 700 mil.

As indefinições em torno do titular da Sesma, porém, continuam.

(Diário do Pará)

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