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Terceira idade movimenta economia

Um novo nicho de mercado. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros e a disposição da terceira idade sinalizaram a necessidade de investir no segmento, que hoje movimenta R$ 2,4 bilhões ao ano na economia. Os impactos para a economia guardados por

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Um novo nicho de mercado. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros e a disposição da terceira idade sinalizaram a necessidade de investir no segmento, que hoje movimenta R$ 2,4 bilhões ao ano na economia. Os impactos para a economia guardados por esta parcela da população, que já representa 15 milhões de pessoas e pode dobrar até 2020, é o tema desta nova matéria da série ‘Agente do Bem’, que o Projeto Orgulho de Ser do Pará veiculará ao longo de 45 dias no jornal DIÁRIO DO PARÁ e na RBATV. Ao todo, a série envolve 24 matérias tratando do universo da terceira idade e também das pessoas com deficiência no Estado - ressaltando contextos de urbanidade e ações positivas de personagens inspiradores e agentes que promovem a inclusão e o acesso a direitos e à cidadania. A meta é incentivar mais paraenses a se engajar em ações para construir cidades melhores, combatendo problemas que estão ao alcance de todos, para muito além da ação do poder público. Desse modo, o Grupo RBA firma uma campanha para formar um exército de ‘Agentes do Bem’ que transforme o Pará.

Nova força

Os gastos dos idosos hoje ainda estão concentrados nos cuidados pessoais e despesas do lar. “Normalmente gastam com saúde, além de alimentação, energia, gás e água, por permanecerem muito tempo em casa”, pontua Nélio Bordalo Filho, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-PA). Entre os aposentados, 70% têm renda proveniente da Previdência Social. Outros 20% dependem do mercado de trabalho. “Em função da boa renda que a maior parte dos aposentados tem, um nicho de mercado da economia está sendo identificado”, observa o economista.

Por conta da idade, os idosos têm despesas com plano de saúde, medicamentos e exames que o convênio não cobre, comprometendo praticamente 25% da renda total. Muitos estão retornando aos estudos, iniciando curso de inglês, faculdade. Gastos com turismo, viagem e hospedagem vêm se destacando – alguns hotéis perceberam esse mercado e estão investindo em acessibilidade.

Nas empresas de turismo, os maiores de 65 anos são responsáveis por 35% a 40% das vendas de pacotes de viagens. Geralmente chegam a viajar duas vezes ao ano, utilizando principalmente o transporte aéreo. “Precisamos mais do que nunca sugerir novos roteiros e pacotes diferenciados para o público da terceira idade, oferecendo opções que se adequem às necessidades deles”, afirma a consultora de viagens Karla Bentes.

Os destinos mais procurados pelos idosos são os países da Europa e os cruzeiros de um modo geral. Os aposentados fazem questão de viajar em grupos da mesma faixa etária. “Eles fazem novas amizades e adquirem diferentes experiências com pessoas da mesma faixa de idade”, justifica Bentes.

Malas prontas

Paris (França), Madri (Espanha), Lisboa (Portugal), República Tcheca, Áustria, Itália, Suíça, Israel, Disney e Miami (Estados Unidos). A lista de lugares percorridos por Arlete Melul, a Leita, é extensa. Na bagagem, várias memórias de bons momentos, pessoas, cores, sabores e sons. “Nem que seja uma viagem por ano, eu faço”, conta a bancária aposentada, que faz questão de manter a idade em segredo.

O próximo roteiro já está traçado. Em outubro, Leita vai conhecer a Argentina e o Chile. “Espero que seja tão bonito quanto vejo na televisão e nas revistas”, almeja. A quantidade de viagens, a beleza e especificidade dos lugares não deixam que Leita eleja a cidade preferida. “Eu não sei dizer porque todas são muito bonitas. A maioria tem vontade de ir a Paris, mas achei Viena mais bonita. Viena respira música. Gostei de tudo por onde andei”. A ópera que assistiu em um teatro municipal da República Tcheca também tem lugar cativo na lista de prazeres vividos.

Quando os filhos ainda eram pequenos, Leita optou por conhecer o Brasil. “Depois que me aposentei, comecei a fazer viagens para o exterior”. A aposentada também tem planos de viajar para Nova York. A maior parte dos passeios foi feita na companhia do marido. Algumas das viagens foram pagas à vista. Outras, parceladas. Houve até a vez em que colocou a mochila nas costas e foi aventurar-se com a filha e o genro. “Eu, com 60 e tantos anos, mochileira. Imagina”, ri. “Fomos para a República Tcheca e, como já estávamos por lá, passamos também pela Áustria, Itália e Suíça. Saiu muito em conta”.

Com as economias feitas ao longo da vida e filhos criados, Leita agora aproveita o que a vida tem a oferecer e um dos programas preferidos é viajar. “O que puder fazer de passeio eu faço”.

O parcelamento atrai os idosos e facilita o pagamento das viagens. “Eles não se preocupam muito com valores, já que têm sempre certo todo mês o salário ou aposentadoria. Ou seja, eles têm como se programar”, explica a consultora de viagens Karla Bentes. O parcelamento a perder de vista, no cartão de crédito ou cheque pré-datado, é a forma mais comum de pagamento.

Nicho em ascenção

A terceira idade é um mercado em ascensão e com poderoso poder de compra. “Alguns empresários já estão se alertando e existem empresas especializadas na área de cuidador de idosos, cosméticos, cuidados pessoais e de lazer”, lista o vice-presidente do Corecon-PA. A média de renda de um idoso paraense é de R$ 800. Do total, 70% são utilizados para garantia de saúde, conforto e alimentação.

Além dos 25% destinados para a saúde, os idosos gastam 23% em despesas referentes às tarifas de água, luz e telefone. Outros 21% são usados para custear a alimentação. A moradia é responsável por 11% das despesas do orçamento e o vestuário, por outros 5%. Os 15% restantes são destinados para outras atividades, entre elas o lazer.

Com os brasileiros vivendo mais e melhor, as despesas também aumentam. “Inicialmente, pode-se identificar que, em função da maior expectativa de vida, geram-se gastos adicionais, como, por exemplo, o INSS”, pondera Nélio Bordalo Filho. O orçamento da União precisa arcar com as aposentadorias e pensões por mais tempo.

O setor de serviços públicos também pode ter inchaço, principalmente no que se refere à saúde – 60% dos pacientes idosos são tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É preciso investir para garantir atendimento e oferta de profissionais que possam servir a terceira idade. “O cenário demonstra a necessidade de infraestrutura de serviços para poder atender essas pessoas que, com o aumento da expectativa de vida, vão precisar de mais estrutura”, analisa o economista.

A doutora em psicologia e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Hilma Khoury, alerta que os impactos da terceira idade no Brasil não se encerram apenas à economia. Eles abrangem todos os setores.

“Talvez o maior impacto seja no setor previdenciário e, consequentemente, na alteração da idade mínima para a aposentadoria. Nos últimos anos, o governo brasileiro aumentou a idade para a aposentadoria, a exemplo do que aconteceu em países da Europa. E esta questão ainda não saiu da pauta de discussões”, frisa. O aumento para o direito à aposentadoria é benéfico para a Previdência Social. Já para os assalariados, seria bom somente para determinadas categorias.

Hilma Khoury alerta que, para os trabalhadores que exercem trabalhos sob condições ambientais penosas ou danosas à saúde, ou para os que atuam em condições físicas ou psicologicamente desgastantes, “o aumento da idade para a aposentadoria significaria condená-los a morrer trabalhando”.

(Diário do Pará)

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