A demanda excessiva de pacientes internados na Clínica Psiquiátrica da Fundação Hospital de Clínicas, em Belém, foi denunciada ontem, em um relatório do Conselho Regional de Enfermagem do Pará (Coren). No documento enviado à imprensa, o Coren afirma que existe superlotação na ala de emergência em detrimento da falta de profissionais de saúde no hospital. “Com isso, os profissionais vêm se sobrecarregando cada vez mais. Pois, além de atender os pacientes do hospital, eles ainda tomam conta dos pacientes encaminhados do sistema penal que deveriam ser de responsabilidade do Manicômio Judiciário das próprias penitenciárias”, criticou Mario Antônio Vieira, presidente do Conselho Regional de Enfermagem.
Segundo o relatório, outro problema enfrentado pelos profissionais do Hospital de Clínicas é a falta de segurança. “Os detentos oferecem risco a segurança dos profissionais. Uma auxiliar de enfermagem, por exemplo, já teve uma faca apontada para o pescoço dentro da ala psiquiátrica”, afirmou o documento. “Além de falta de estrutura do prédio, a insegurança vivida diariamente no local de trabalho e a superlotação de pacientes tem sido as nossas maiores dificuldades. O público alvo do hospital deveria se pacientes esquizofrênicos, bipolares e com transtornos mentais, mas o crescimento absurdo da demanda, incluindo até menores infratores que cumprem medidas socioeducativas tem sobrecarregado todo o nosso pessoal”, denuncia Vieira, que também administra o Ambulatório do Hospital.
Discussão
Os problemas enfrentados pelos profissionais do hospital são reconhecidos pela direção do HC. Durante um fórum de discussão realizado na última terça-feira, gestores da unidade de saúde debateram as denúncias apresentadas pelo Coren e propuseram elaborar um protocolo de atendimento para os profissionais que atuam na Clínica Psiquiátrica.
De acordo com a gerente assistencial do Hospital, Renata Alves, a direção da fundação está tomando todas nas providencias para solucionar os problemas relacionados não apenas à Clínica Psiquiátrica, mas a todo o hospital. “Precisamos fazer os ajustes necessários para melhorar o atendimento, mas é preciso que todos sigam o protocolo”, defendeu.
Segundo a direção do HC, a média de atendimentos no setor, em 2012, ficava entre 800 a 900 pacientes por mês. Em 2013, o número de atendimentos cresceu, chegando a 1.144 somente em abril. Para o chefe da Clínica Psiquiátrica, Carlos Teixeira, a superlotação de pacientes não se deve apenas ao hospital, mas sim ao sistema público de saúde.
De acordo com ele, os problemas externos estão relacionados à rede de saúde mental, pois os postos de saúde e os Centros de Apoio Psicossocial (Caps), que deveriam atender pacientes estáveis e com problemas menos graves, encaminham esses pacientes para o Hospital de Clínicas, o que acaba aumentando a demanda e dificultando o atendimento.
(Diário do Pará)
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