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Homem pode ter sido vítima de queima de arquivo

Testemunha chave para esclarecer fraudes na venda de carros doados para entidades filantrópicas no Pará, Nicanor Joaquim da Silva pode ter sido de alvo de uma operação queima de arquivo. Ele foi alvejado com um tiro na cabeça na última sexta-feira, 27, qu

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Testemunha chave para esclarecer fraudes na venda de carros doados para entidades filantrópicas no Pará, Nicanor Joaquim da Silva pode ter sido de alvo de uma operação queima de arquivo. Ele foi alvejado com um tiro na cabeça na última sexta-feira, 27, quando trafegava pela Alça Viária, próximo ao município de Tucuruí. Nicanor chegou a ser levado para o Hospital Metropolitano em Ananindeua, mas morreu na segunda-feira, 1º de outubro.

Apontado como uma das testemunhas mais importantes na milionária fraude que desviou dinheiro de entidades como a fundação Pestalozzi, Nicanor chegou a ter depoimento marcado para setembro, mas faltou alegando problemas de saúde. O depoimento foi então remarcado para o início de outubro, o que reforça a tese da queima de arquivo.

Ele morreu levando consigo informações que poderiam esclarecer as fraudes e talvez levar a novos integrantes da quadrilha. “Há uma grande possibilidade de ter sido queima de arquivo. Chama a atenção o fato de que o crime ocorreu justo quando ele estava para prestar depoimento”, diz o promotor militar Armando Brasil, que atuou na apuração das fraudes que envolviam militares. As investigações do crime estão sendo comandadas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que tem mantido as informações sob sigilo.

Nicanor era apontado pelo Ministério Público como um dos principais envolvidos na fraude envolvendo doação de carros de órgãos públicos para fundações filantrópicas. As doações, contudo, não chegavam a beneficiar as entidades. Eram desviadas pela quadrilha.

De acordo com a denúncia já apresentada pelo Ministério Público Militar à Justiça, a ex-presidente da fundação Pestalozzi Maria Irecê Santiago Mendes teria autorizado Nicanor a vender os bens (na maioria carros) doados à Fundação por órgãos do governo do Estado. As doações eram feitas de forma irregular.

“Em meio às investigações, constatou-se que foram doados à Fundação 332 (trezentos e trinta e dois) veículos, entretanto, ao patrimônio da Fundação Pestalozzi do Pará, só foi acrescentada a quantia de R$ 33 mil como renda proveniente desses bens a ela doados”, diz um trecho da denúncia.

Segundo o promotor Armando Brasil, as doações foram intermediadas por Nicanor, que trabalha com a venda de carros e tinha contatos na Polícia Militar do Pará. O acusado recebia os veículos e vendia para terceiros. O dinheiro não chegava às entidades. Entre os envolvidos estava a coronel da reserva da PM Ruteleia Guimarães, uma das responsáveis pelas doações. A estimativa é de que a fraude tenha rendido mais de R$ 15 milhões para a quadrilha.

Matador foragido

Segundo as informações obtidas pelo DIÁRIO sobre o crime, com uma fonte policial, Nicanor Joaquim da Silva foi levado de carro na noite da sexta-feira passada por um homem identificado por Paulo Rener Monteiro do Nascimento, morador do bairro da Terra Firme, para um encontro com seu sócio, o paulista, da cidade de Campinas, Paulo André Proença na Alça Viária.

A missão de Paulo Rener era levar a vítima até o local. tanto que esteve em uma locadora de veículos, onde alugou um veículo, usado para seguir Nicanor à distância. O que não ficou claro foi a autoria do delito, uma vez que Paulo Rener, que está detido no Centro de Triagem Metropolitano, incomunicável, disse que um homem conhecido apenas por “Antonio”, também morador da Terra Firme, seria o matador e está foragido.

O paulista Paulo André Proença, sócio em negócios com Nicanor Joaquim da Silva e que seria o mandante, chegou a Belém no início da semana passada e se hospedou em um hotel no bairro de Canudos. Ele fugiu tão logo o intermediário no crime, Paulo Rener Monteiro do Nascimento, foi preso.

Ainda segundo as informações obtidas com primazia, a vítima foi levada para o encontro tendo como carona Paulo Rener e, ao chegar ao ramal denominado Santa Odília, entre os quilômetros 02 e 03 da Alça Viária, no município de Marituba, o carona pediu que ele, que dirigia o veículo, já apreendido, entrasse no ramal.

Pelo retrovisor, Nicanor Joaquim da Silva percebeu que um veículo o seguia e tentou a fuga. No entanto, acabou sendo alcançado no ramal e “Antônio”, que aparece como o executor, teria disparado à queima-roupa contra a cabeça da vítima.

(Diário do Pará)

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