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João Capiberibe lança livro autobiográfico

Para contar a história vivida durante a ditadura civil-militar, as fugas e exílio, o senador da República pelo Estado do Amapá, João Alberto Rodrigues Capiberibe, escreveu o livro “Florestas do Meu Exílio”, lançado na noite de ontem, em Belém. Relembrando

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Para contar a história vivida durante a ditadura civil-militar, as fugas e exílio, o senador da República pelo Estado do Amapá, João Alberto Rodrigues Capiberibe, escreveu o livro “Florestas do Meu Exílio”, lançado na noite de ontem, em Belém. Relembrando a época em que foi preso em Belém, no presídio São José, hoje Espaço São José Liberto, local onde ocorreu o lançamento do livro, Capiberibe volta ao passado e detalha a cela em ficou preso naquele lugar. “Eram 95 presos, num espaço bem pequeno, com andares de redes, um por cima da outra e coladas umas nas outras”. O senador relembra ainda que ficou doente na prisão e deixou a cadeia escoltado pelos militares. Levado à Santa Casa de Misericórdia, Capiberibe fugiu 15 dias após a internação. “Passados esses dias, me trouxeram, para a minha fuga, uma roupa branca, de médico e de lá eu sai pela porta da frente. Um jovem, que resistiu a ditadura e por isso foi preso”.

Nascido na Ilha do Marajó, em 1947, João Capiberibe relata também em “Florestas do meu Exílio” a resistência dos jovens à ditadura civil-militar e a rebeldia daquela época. “Ela não permitia qualquer manifestação, nos tratava como bandidos, intransigentes. Proibia partidos, sindicatos, centros acadêmicos e reprimia manifestações públicas. Mas o que nos move é isso, não esquecer, para nunca mais viver”.

Nas páginas do livro de Capiberibe é possível ainda reviver na imaginação a fuga do jovem rebelde com a esposa Janete, grávida de oito meses, que foi torturada pelos militares. “Sofremos um sequestro dentro de um ônibus de Belém para Imperatriz. Membros da força de repressão, com armas na nossa cabeça ficaram conosco dois meses, sem que ninguém soubesse de nós”. O casal seguiu ainda durante o exílio, em um barco, para a Bolívia, Chile e Peru, em longa jornada, até retornar ao Brasil.

(Diário do Pará)

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