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Prêmios fortalecem grandes reportagens locais

O ano de 2013 se tornou definitivamente um divisor de águas na história do DIÁRIO DO PARÁ. Além de ampliar e confirmar a liderança no mercado de impressos no Estado com a preferência de 66% dos leitores habituais de jornais, segundo pesquisa do Ibope, o j

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O ano de 2013 se tornou definitivamente um divisor de águas na história do DIÁRIO DO PARÁ. Além de ampliar e confirmar a liderança no mercado de impressos no Estado com a preferência de 66% dos leitores habituais de jornais, segundo pesquisa do Ibope, o jornal teve reconhecida nacional e internacionalmente sua qualidade mercadológica e editorial, reafirmando seu lugar como o maior jornal da região Norte e um dos maiores do país.

Três meses foram fundamentais nesse processo. Em maio, o jornal obteve o reconhecimento internacional em Nova Iorque (EUA), quando, de forma inédita, foi agraciado em cinco categorias do prêmio concedido anualmente pela International Newsmedia Marketing Association (INMA). Pela primeira vez um veículo de comunicação do Pará conquistou os mais importantes prêmios de marketing do mundo, trazendo cinco dos sete prêmios que disputava. O jornal paraense foi maior vencedor do INMA Awards 2013, que reuniu os mais importantes jornais do planeta.

O INMA Awards foi criado em 1935. A premiação ocorre todos os anos. O objetivo é valorizar projetos, publicações e estratégias de marketing desenvolvidos para melhorar a relação com leitores e parceiros e que tenha como resultado a conquista de novos públicos. A performance mereceu o reconhecimento de quem faz publicidade no Pará e a comemoração das empresas parceiras que acreditaram nos projetos vencedores e agora colhem os louros de terem suas marcas alinhadas a produtos de reconhecida qualidade internacional.

Jornalismo

Quatro meses depois, viria uma consagração nacional, com o DIÁRIO recebendo quase de uma só vez duas das mais importantes premiações jornalísticas do país. No dia 28 de setembro, foi o troféu “Líbero Badaró”, um dos principais da América Latina, a premiar a produção jornalística e estimular a liberdade de imprensa. No dia 1º de outubro, menos de uma semana depois, foi a vez do prêmio “Wladimir Herzog”, uma das mais significativas distinções jornalísticas do país. O prêmio reconhece trabalhos que valorizam a democracia, a cidadania e os direitos humanos.

Os prêmios reconheceram o trabalho de oito matérias especiais publicadas pela série “Os Suruís e a Guerrilha do Araguaia”, de autoria do repórter especial Ismael Machado e do fotógrafo Thiago Araújo, veiculadas em dezembro de 2012. Agraciado na categoria jornalismo impresso, o DIÁRIO venceu disputa com os principais veículos impressos nacionais e obteve o primeiro lugar nas duas premiações.

Suruís

As reportagens contaram como os suruís, índios que vivem no sudeste do Pará, foram obrigados pelo Exército a servir de mateiros e até a caçar guerrilheiros durante os conflitos da Guerrilha do Araguaia, entre o fim da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970. O exército invadiu as suas terras e os manteve num regime de quase cativeiro. Índias foram violadas e índios tiveram que decepar cabeças de guerrilheiros, entre outras atrocidades.

A série, que também acompanhou a criação da Comissão da Verdade Suruí em Marabá, contou ainda com o trabalho do paginador e art-designer Márcio Alvarenga e coordenação dos editores Lázaro Magalhães (editoria de Cidades) e Octavio Cardoso (fotografia), além da supervisão do editor de arte Atorres, dos editores executivos Clayton Matos e Adaucto Couto, e contribuições de Paulo Fonteles Filho.

Em julho passado, Ismael Machado também conquistou a melhor reportagem impressa do I Prêmio Paraense de Jornalismo Científico, promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Fundação Amazônia Paraense de Amparo à Pesquisa (Fapespa). A série de reportagens vencedora foi a “Caminho das Águas”, publicada em março do ano passado, com foco nos desafios do abastecimento de água no Estado.

Grandes reportagens

Ismael Machado trabalha no DIÁRIO desde 2008, quando foi convidado pelo diretor de redação Gerson Nogueira para atuar como repórter especial. “A ideia inicial era de inserir reportagens de cunho mais humanizado, com um estilo de escrever mais livre, menos preso às amarras das regras convencionais, retomando os grandes temas do Estado”, recorda Machado.

Com isso, o processo de grandes reportagens e de séries foi fluindo naturalmente. “Não sei se a palavra retomada é a mais apropriada nesse contexto, mas a grande diferença é que o DIÁRIO passou a cobrir de forma mais intensa o Pará em rincões mais afastados, algo que talvez estivesse meio parado nos jornais locais”.

Houve, então, um casamento entre a intenção do jornal em investir forte em reportagens de qualidade fora da região metropolitana com a disposição do repórter em buscar histórias diferentes espalhadas pelos rincões paraenses. “Claro, sempre temos que levar em conta que as distâncias paraenses são imensas, que fazer esse tipo de reportagem custa caro e o momento é complicado, mas isso nunca chegou a ser um empecilho para que o DIÁRIO bancasse essas ideias. Isso é reforçado quando o resultado final agrada, tem qualidade. O custo passa a ser investimento”.

Para Ismael Machado, uma coisa acaba levando a outra. “O bom resultado de uma reportagem gera boa repercussão para o jornal, que se sente confiante em apostar mais em reportagens, o que estimula o repórter a pensar em mais pautas diferentes. Quando essa engrenagem azeita, sempre se pode esperar pelo melhor”, avalia.

Segundo ele, as premiações são muito importantes para o jornal. “Foram três em que estive à frente esse ano. O I Prêmio Paraense de Jornalismo Científico, o Líbero Badaró e o Vladimir Herzog. O prêmio local bota o DIÁRIO à frente do concorrente. Os dois nacionais inserem o jornal entre os grandes do país, porque ultrapassamos nas duas premiações nomes de peso como Folha de S. Paulo, O Globo e Zero Hora, por exemplo. Não é pouca coisa”, atesta o repórter.

A primeira premiação de Ismael pelo DIÁRIO coroou regionalmente sua cobertura sobre o desenvolvimento sustentável, agraciada pelo Banco da Amazônia. A segunda reconheceu nacionalmente a série “Dossiê Curió”, publicada pelo DIÁRIO DO PARÁ no começo do ano passado, conquistando a Menção Honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de 2012. “Tenho 22 anos de jornalismo e as premiações são recompensadoras. Temos sempre que investir nas grandes reportagens. Nossa região é muito rica em personagens fantásticos e histórias que ainda não foram contadas”, avalia Ismael.

Prêmios fortalecem grandes coberturas

Paulo Fontelles Filho, pesquisador e membro do Grupo de Trabalho do Araguaia do governo federal, foi quem abriu caminho para que Ismael Machado conhecesse de perto o contexto dos suruí s na Amazônia durante a ditadura militar. “O que os militares fizeram com os índios nesse período ainda é muito pouco conhecido e a história dos suruís abriu caminho para que outros fatos viessem à tona”.

Descobriu-se, por exemplo, que em 1976, no Amazonas, mais de dois mil índios desapareceram no Estado durante a construção de uma rodovia. “Recentemente veio àtona o Relatório Figueiredo, feito em 1967 pelo Ministério da Defesa, com sete mil páginas. Ele traz um rico relato sobre a violência contra os indígenas no país. E tem muito mais. Ainda existe muito medo na nossa região. A ditadura no Araguaia foi brutal. Muitos ainda se calam e essa série premiada veio contar mais da nossa história”, ressalta.

A série “Suruí e a Guerrilha do Araguaia”, diz Fontelles, mostra que ainda existe jornalismo inteligente e de qualidade no Pará. “Precisamos de mais jornais e jornalistas que busquem sempre as notícias, estejam onde estiverem, e descubram as verdade ainda escondidas nos rincões. O Brasil ainda desconhece o Brasil”, avalia.

A advogada Anna Lins, conselheira e coordenadora do Programa Cidadania e Acesso à Justiça da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), ressalta que é importante que um prêmio como o Wladimir Herzog de Jornalismo venha para o Estado. “Nós sabemos o quanto ainda é difícil trabalhar temas de direitos humanos em uma realidade como a nossa, com violações de direitos cotidianas”, ressalta.

Levantar esses problemas e trazê-los para o debate público, diz Anna, é de suma importância para que o nosso povo cresça em relação ao reconhecimento de seus direitos. “Por essa razão, o trabalho de comunicação não pode ser deixado de lado. Ficamos felizes com esse reconhecimento e esperamos que os prêmios inspirem outros jornalistas do Pará e da nossa região a também realizar trabalhos de qualidade como esse”, diz a advogada.

Gerson Nogueira, diretor de redação do DIÁRIO, lembra que conquistam prêmios importantes os jornais que investem nas grandes reportagens. “Para nossa sorte, é cada vez menor a quantidade de jornais fazendo isso no Brasil, menos ainda na região Norte. Os custos proibitivos dos deslocamentos impedem maiores esforços na área”, avalia.

Nogueira ressalta que, antes mesmo de assumir a liderança no mercado impresso do Pará, em 2006, o DIÁRIO já apostava nas séries especiais, abrindo páginas para retratar situações quase sempre esquecidas pela Justiça e pelo Estado e dando voz aos marginalizados. “Prêmios como os conquistados pelo repórter Ismael Machado são fundamentais porque justificam uma estratégia há muito desenhada, estimulam os demais jornalistas da equipe e dão respeitabilidade ao jornal no resto do país. Por isso, o DIÁRIO vai continuar nessa trilha, perseguindo conquistas cada vez maiores”.

(Diário do Pará)

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