“Meu filho tem 13 anos, é diabético, está tendo alucinações por causa de uma infecção no sangue e eu ainda tive que trazer um isopor com a insulina porque aqui não tinha e ele precisa dessa medicação para viver. Se não aplicar, ele morre”, afirma a operadora de caixa, Keila Gomes, que está com filho internado no Pronto-Socorro Mário Pinotti (PSM da 14) à espera de um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Revoltados com as condições do hospital, servidores e acompanhantes de pacientes fecharam a travessa 14 de Março, por volta das 16h30. Eles queimaram pneus em protesto contra a falta de medicamentos, de materiais para curativos, de macas e de leitos. Eles querem ainda o conserto de aparelhos quebrados e do elevador. Devido às deficiências do hospital, os servidores paralisaram as atividades até as 19h30, quando terminou o ato.
Segundo a assistente de administração do apoio ao serviço social, Terezinha Nery, que trabalha há 20 anos no pronto-socorro, os médicos precisam optar por qual paciente atender, por causa da falta de estrutura. “Eu ouvi de um médico, há uns quatro meses, que ele ia pedir demissão, porque havia duas pessoas muito debilitadas e só uma vaga na sala de cirurgia. Logo depois, o outro paciente que ficou sem atendimento morreu”.
A técnica em enfermagem Maria da Graça Assunção, que trabalha há 20 anos no hospital, relatou que até álcool está faltando no pronto-socorro e os pacientes estão cada vez mais debilitados. “Para aplicar os soros, estão usando água. Tem gente com as feridas podres porque não tem material para fazer a limpeza, não tem esparadrapo, gaze. Tem um senhor que está sem roupa no corredor porque não tem fralda geriátrica. Os pacientes chegam aqui para morrer”.
AVC
Depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), na manhã de ontem, Eudoxia Soares, de 65 anos, veio de São Domingos do Capim para ser internada no hospital, mas o aparelho de tomografia estaria quebrado, segundo Santana Soares, filha da idosa. “Viemos em busca de um atendimento melhor, mas, chegando aqui, foi pior. Disseram que a máquina está quebrada e ficou por isso mesmo. Minha mãe está aí, internada, esperando por uma máquina, depois de sofrer um AVC”.
A servidora Maria de Fátima Mota ressaltou ainda que tem paciente esperando medicamentos para ser submetido a uma cirurgia. “Dessa vez tem médico, eles estão trabalhando e não podem operar porque não tem remédio para o pós-cirúrgico, assim como tem pacientes subindo de maca pelas escadas, por causa do elevador, que está quebrado”.
A presidente da Associação dos Servidores de Saúde de Belém, Rosana Oliveira, afirmou que hoje, às 8h, os trabalhadores pretendem verificar se os medicamentos e materiais para curativo foram repostos no estoque do hospital. Caso contrário, outro ato deve acontecer. “Os responsáveis pelo pronto-socorro estão brincando com a vida desses pacientes e com os servidores que vivem essa situação. Se não tiver material suficiente para atender as demandas, vamos fazer outro ato de advertência”, afirmou.
SESMA
A Sesma informou que houve atraso na chegada dos materiais hospitalares para o Mário Pinotti e que, por isso, alguns estavam em falta. O órgão disse ainda que já foi feita uma compra emergencial de insumos para suprir as demandas dos PSMs.
Em relação ao tomógrafo, a secretaria disse que o aparelho passa por manutenção, mas que pacientes que passam pelo Mário Pinotti e necessitam do exame são encaminhados aos hospitais conveniados ao SUS.
(Diário do Pará)
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