Com a reforma e ampliação se arrastando por mais de dois anos, a Escola de Educação Tecnológica (EETEPA) de Salvaterra, no Marajó, sofre com o abandono do poder público e está prestes a fechar as portas. Iniciadas em 2011, ainda na gestão da governadora petista Ana Júlia Carepa, as obras de conclusão de mais um bloco de salas de aula, da quadra esportiva e de um auditório estão inacabadas, prejudicando a formação de cerca de 50 alunos.
O descaso é tanto que os professores da escola se organizaram e criaram um movimento para lutar por uma educação mais digna. De acordo com os professores, além das obras paralisadas, a escola não recebe recursos para manutenção dos cursos existentes há mais de dois anos.
“Muitas vezes temos que bancar as aulas com o nosso próprio dinheiro. No curso técnico de Agropecuária, por exemplo, não estamos realizando as aulas práticas e de visitas técnicas tão importantes para o aprendizado dos alunos. Além disso, falta desde um simples material de expediente a produtos mais elaborados, como adubos e insumos”, denuncia um dos professores. “Temos uma escola bem equipada, com laboratórios e um corpo docente muito bom, mas infelizmente passamos por essa situação”, complementa o professor.
Segundo os docentes, a alegação do governo é que os cursos não recebem recursos do governo federal, e o estado não teria como arcar sozinho com os custos para manter a instituição. “Se continuar assim, a escola tende a fechar as portas, pois não se admite novos alunos, as turmas vão concluindo e a escola vai perdendo o seu objetivo, que é de qualificar mais jovens para suprir a demanda da região”, diz outra professora.
Ainda segundo os servidores da educação, outro problema é que, até agora, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) não realizou processo seletivo para os cursos subsequentes voltados para alunos que já concluíram o ensino médio. “Das mais de 10 escolas técnicas existentes atualmente em todo estado, o governo abriu processo apenas para seis. “Gostaríamos de saber quais os critérios utilizados pela Seduc, pois o Marajó mais uma vez ficou esquecido”, indignam-se os professores.
Segundo eles, o descaso do governo pela educação é tamanha que a construção da segunda escola técnica no Marajó, localizada em Breves, e que poderia servir para desenvolver a região, também está há anos parada, apenas com a fundação pronta, sem contar nas escolas de ensino médio que estão em condições precárias, algumas até ameaçando desabar.
Outro lado
A Seduc informou, através de nota, que “a empresa responsável pelas obras na Escola Tecnológica de Salvaterra foi acionada pela secretaria em virtude da lentidão no andamento das obras”. A nota diz ainda que a “situação será normalizada em breve. Está em processo na Seduc o envio de recursos para as Escolas de Educação Tecnológica via Conselho Escolar, que beneficiará também a Escola de Salvaterra”.
(Diário do Pará)
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