O transporte fluvial na Amazônia beneficia a mais de 13 milhões de passageiros por ano. Passam pela região, no mesmo período, cerca de 4,5 milhões de toneladas. A projeção para 2022 é que esse número alcance 5,1 milhões de toneladas. Os dados fazem parte do estudo “Caracterização da Oferta e da Demanda do Transporte Fluvial de Passageiros na Região Amazônica”, divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq.
O trabalho é resultado de uma parceria entre a Agência, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp). Foram analisadas 317 linhas, sendo 249 no transporte longitudinal estadual; 59 no longitudinal interestadual; e nove na travessia. O total de embarcações cadastradas foi 602.
O estudo analisou, ainda, 106 terminais hidroviários de passageiros, sendo um em Rondônia; 11 em Amapá; 30 no Amazonas; e 64 no Pará. De acordo com a pesquisa, 81% das instalações apresentaram padrão “baixo” de qualidade; 15%, “médio”; e 4%, “alto”. Entre os critérios analisados estão: acessos, estacionamento de veículos, instalações, serviços, sala de embarque, área de atracação, entre outros.
Em relação aos terminais, o estudo diagnosticou desde as condições de acesso, como áreas específicas para paradas de ônibus e táxis, e áreas de atracação, até à existência de instalações e salas de embarque, como posto de atendimento médico e posto de polícia, serviço de carregadores e salas de administração, balcão de informações, boxes de venda de passagens, bancos e assentos, banheiros, telefones públicos, quadro de horário de saída e chegada de embarcações e lanchonetes.
Em Belém, dos 27 terminais avaliados, três (10%) apresentaram um bom padrão de atendimento. Já no conjunto de terminais da Amazônia, apenas 3% apresentaram um bom padrão de atendimento; 10% registraram um padrão médio e 87% um baixo padrão de atendimento.
“Mudar esse resultado representa um grande desafio para os governos federal, estadual e municipal, que deverão viabilizar os recursos necessários e as linhas de crédito para que os empresários do setor possam melhorar suas embarcações e prestar um serviço de melhor qualidade aos passageiros do transporte fluvial na Amazônia”, destaca o superintendente de Navegação Interior da Agência, Adalberto Tokarski.
ANÁLISES
Para chegar a esses dados foram feitos três levantamentos em diferentes épocas do ano. A primeira coleta de dados foi realizada entre janeiro e março de 2011; a segunda, no período de junho a agosto de 2011; e a terceira, entre setembro a novembro de 2012. A movimentação anual foi obtida pela média das três análises. A área de abrangência do estudo compreendeu a região Amazônica com foco nos principais estados geradores de fluxo fluvial: Pará, Amapá, Amazonas e Rondônia.
Dados da Antaq mostram que 80% dos rios navegáveis do Brasil estão localizados na Amazônia. São mais de 20.000 quilômetros de rios navegáveis que, além de importantes para a economia regional, são a principal via de transporte das populações locais.
O estudo não mostrou, no entanto, o número de acidentes e vítimas do transporte fluvial da região. São cerca de 200 acidentes por ano, em média, somando grandes embarcações e pequenos barcos usados por ribeirinhos, somando os ocorridos na Amazônia oriental e ocidental.
(Diário do Pará)
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