Cerca de 300 famílias ocuparam um conjunto habitacional do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ainda em construção, na principal via de acesso ao conjunto Icuí-Guajará, em Ananindeua. Os invasores dizem que não têm para onde ir e que o local teria se transformado em rota de fuga para criminosos. No final da manhã, a polícia foi chamada para desocupar a área. O clima ficou tenso, mas não houve conflito. Hoje uma comissão de moradores será recebida pelo secretário municipal de Saneamento de Ananindeua para discutir o assunto.
Os ocupantes acabaram saindo do espaço sem resistência, mas no fim da tarde resolveram obstruir a avenida Santa Maria que dá acesso ao conjunto habitacional. “Estamos à mercê da bandidagem aqui. Essa obra parada só traz problemas. Eles deixam roubo aí, usam drogas, até caso de estupro tem. E, quando chove, alaga as casas de quem mora por aqui. Esse espaço fica só lixo. Queremos que eles tomem uma providência. Com gente morando pelo menos nossos riscos diminuem”, reclama um morador da área.
Segundo informações da Prefeitura Municipal de Ananindeua, as famílias chegaram à área por volta das 23h da noite de domingo. Pela manhã, mesmo com a chegada de homens da Ronda Tático Metropolitana (Rotam), a promessa dos moradores era de não sair das casas ainda inacabadas.
“Essas casas estão desocupadas e nós cansamos de ver esse absurdo. Viemos para cá para ver alguma providência ser tomada. Essa é a única oportunidade de muita gente aqui ter sua casa”, defendeu Wilson da Costa, pedreiro, apontado como um dos líderes do movimento de ocupação.
Os moradores também reclamam que com a obra pela metade a criminalidade teria aumentado na área. Um caso de roubo seguido de estupro registrado no início do mês teria sido o motivo que faltava para a ocupação.
“A malandragem chegou e tomou de conta. Eles usam drogas, eles roubam e correm para cá porque sabem que a gente não pode fazer nada. Enfim, é todo tipo de problema que enfrentamos com essas casas, assim, sem destino certo. Eu já decidi, ocupei a ‘minha’ casa e de lá ninguém vai me tirar. Ninguém aguenta mais ficar à mercê da bandidagem, essa é a verdade”, comentou outra invasora.
Prefeitura nega que obra esteja parada
Os ocupantes acabaram saindo do espaço sem resistência, mas no final da tarde resolveram obstruir a avenida Santa Maria que dá acesso ao conjunto habitacional. “Estamos a mercê da bandidagem aqui. Essa obra parada só traz problemas. Eles deixam roubo aí, usam drogas, até caso de estupro tem. E quando chove alaga as casas de quem mora por aqui. Esse espaço fica só lixo. Queremos que eles tomem uma providência. Com gente morando pelo menos nossos riscos diminuem”, reclama um morador da área.
Pedaços de pau foram queimados na pista para evitar a passagem. Nesse momento mais de 40 homens da Tropa de Choque da Polícia Militar e a Ronda Tático Metropolitana (Rotam) reforçaram a segurança, enquanto esperavam a negociação com os populares. De acordo com o Coronel Almério da PM, um acordo foi firmado. “Amanhã (hoje) eles vão ter reunião na Sesan para expor esses problemas, mas hoje (ontem) vão desobstruir a via”, explicou.
Presente no local desde o início da manhã, o diretor jurídico da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) de Ananindeua, Antônio Peck, afirmou que a manutenção das famílias no local seria inviável e prejudicaria a retomada das obras. “São 530 casas que tiveram as obras paralisadas em virtude de uma reprogramação de metas, mas que ainda este ano serão reiniciadas. A invasão nos pegou de surpresa porque essas famílias que estão aqui sequer estão cadastradas no Programa”, explicou. O representante da Prefeitura negou que a obra estivesse parada há cinco anos e disse que houve uma proposta de reunião posterior com os ocupantes. “As obras foram iniciadas em 2010 e foram paralisadas em 2012 por questões inerentes ao próprio Governo Federal. Além da construção das casas, há no projeto obras de infraestrutura que não foram paralisadas. Conversei pessoalmente com o líder deles e propus que uma comissão seja criada para uma reunião amanhã [hoje] na Sesan. Queremos poder cadastrar a todos no Projeto”, justificou. Para o conjunto habitacional ocupado, a Prefeitura diz que o cadastro foi finalizado. “As casas serão para famílias do Icuí Guajará, Nova Esperança e 28 de Agosto. Todos já cadastrados”. As obras serão finalizadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Outro lado
Presente no local desde o início da manhã, o diretor jurídico da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) de Ananindeua, Antônio Peck, afirmou que a manutenção das famílias no local seria inviável e prejudicaria a retomada das obras.O representante da Prefeitura negou que a obra estivesse parada e disse que houve uma proposta de reunião posterior com os ocupantes.
(Diário do Pará)
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