No chão, tomates, batatas, folhas de alface e outros vegetais se misturam ao lixo. As dezenas de mãos que procuram entre as sobras o que ainda está em condições de ir à mesa não dão conta de evitar o desperdício.
Todos os dias, vários quilos de alimentos são perdidos na feira das Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa). Segundo números da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de um terço dos alimentos produzidos em todo o mundo, 1,3 bilhão de toneladas, são desperdiçados todos os anos. Ontem, no Dia Mundial da Alimentação 2013, um direito fundamental foi lembrado: o direito de comer.
Segundo as estimativas da FAO, bastaria reduzir pela metade o desperdício para aumentar a produção alimentar em 32%. Este percentual garantiria comida a nove bilhões de pessoas, a população mundial prevista para o ano 2050. Os peritos estimam que, de alguma forma, a produção atual teria que ser 60% superior para atender à demanda futura da humanidade. Um número impensado levando em consideração o uso não renovável e a degradação ambiental em terra e mar.
Exemplo
O ambulante Edmilson Valente dá o exemplo. Parte das batatas que ele seleciona na Ceasa vai para a mesa da família. A outra parte se soma ao óleo vegetal e à fritura no carrinho de lanches. A dona de casa Ruth Helena Santos, 43 anos, também aproveita a oferta excedente da Ceasa. “Eu pego cebola, tomate, banana, uva... Mesmo com tanta gente coletando o que sobra, ainda tem muita coisa boa que estraga. O que eu peguei hoje já garante a feira da semana inteira”, afirma. Mãe de três filhos, Ruth Helena lamenta a falta de consciência que gera tanto desperdício. “Lá mesmo onde eu moro, na Cabanagem, tem muita criança passando necessidade”.
A nutricionista Aline Melo alerta para o fato de que o excesso de comida não é sinônimo de uma boa alimentação. “Devido à correria do dia-a-dia e da falta de tempo, muitas pessoas optam por refeições mais práticas, rápidas e pré-prontas. Porém, o consumo excessivo de lanches de rua ou fast-foods pode trazer grandes prejuízos a longo prazo. Estes alimentos são desprovidos de nutrientes básicos que precisam ser ingeridos para garantir o funcionamento do corpo humano. Eles aumentam a taxa de obesidade, geram uma série de problemas e, em alguns casos, podem levar até mesmo à desnutrição”.
Segundo a nutricionista, uma alimentação saudável deve priorizar o consumo diversificado de produtos naturais e estar aliada a bons hábitos, como a prática regular de exercícios físicos. Segundo Aline, o que comemos é um dos fatores principais que determinam o quão boa está nossa saúde. “Uma dieta rica em vitaminas e nutrientes fortalece o sistema imunológico e ajuda na prevenção de uma série de doenças”.
(Diário do Pará)
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