O dia hoje é de comemoração e reflexão para os médicos do Brasil. No Pará, são 11.535 profissionais inscritos no Conselho Regional de Medicina (CRM/PA). Para eles, o momento é de poucas comemorações e muito debate. Entre as queixas, estão as condições de trabalho. Um exemplo é o Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março em Belém, onde faltam até materiais básicos como gaze e esparadrapo para curativos. “É um momento delicadíssimo para a classe médica, mas seguimos em frente, trabalhando, tentando melhorar o que for possível, sempre com a cabeça erguida”, diz a diretora do CRM/PA, Izabel Morhy.
Além das condições de trabalho os médicos brasileiros reclamam também do desgaste da imagem dos profissionais junto à população em meio a uma disputa com o governo em torno do programa “Mais Médicos” que tem como base a importação de profissionais de outros países sem necessidade de passarem pelo Revalida, o teste que avalia se o médico tem condições de exercer a medicina no País.
“Nesse Dia do Médico queremos dizer à categoria que nesses tempos em que a nossa profissão vem sendo “satanizada” é bom que se ressalte que podemos ter perdido uma batalha neste momento político brasileiro, mas não perdemos a guerra e vamos continuar lutando juntos e organizados. Nossa causa, mais do que simplesmente uma luta corporativa pelos direitos dos médicos, vai além e busca uma sociedade mais justa, fraterna, solidária e igualitária, na qual o médico está inserido”, diz o diretor do Sindicato dos Médicos do Pará, João Gouveia.
As entidades médicas criticam a importação de profissionais sem o Revalida. Alegam que não falta mão de obra, mas estrutura para melhorar o atendimento à população. Apesar das várias ações do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de médicos em Revalida, o governo tem vencido a batalha.
“Vamos continuar focando em uma saúde pública de qualidade para os usuários do SUS, manutenção de nossa autonomia profissional e garantia de direitos trabalhistas básicos para médicos que atuam no Brasil. Não vamos compactuar com a falta de critério para o atendimento à população mais carente, assim como com a falta do cumprimento de direitos trabalhistas mínimos para os que atuam na profissão de médico em nosso País. Isso vai contra os princípios éticos e profissionais que têm balizado nossas ações ao longo de tantos anos de atividade no Estado do Pará”, afirma Gouveia.
(Diário do Pará)
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