Maria das Graças Oliveira Trindade, 62 anos, iria aproveitar o domingo para acompanhar o Círio das Crianças, como os cerca de 300 mil romeiros que ganharam as ruas do bairro de Nazaré. Porém, logo cedo, um mal estar súbito seguido de desmaio atrapalhou os planos da devota de Nossa Senhora.
O problema, aparentemente simples, foi, na verdade, um aneurisma cerebral, segundo os familiares. Moradora do bairro de Águas Lindas, no município de Ananindeua, Maria das Graças foi encaminhada ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE). Ela deu entrada no fim da manhã, porém, até o fim da tarde não havia sido internada.
Elizabeth Braga, 39 anos, sobrinha de Maria das Graças, diz que a tia foi levada ao Metropolitano por volta das 11h de ontem. A partir daí, começou o sofrimento da família. “Aneurisma cerebral requer urgência no atendimento. São 17h e ela não foi operada, não foi acolhida em nenhum leito, não deram remédio nenhum para aliviar a dor dela. É um absurdo. Cada um de nós contribui com impostos pra manter hospitais públicos como esse e, quando a gente mais precisa, não recebe atendimento”.
Temor
Gabriel Ataíde, 25 anos, bacharel em Direito, também teme pela vida da tia. “A verdade é que ela está aí dentro esperando para morrer. É muito difícil, porque a gente se sente impotente, sem saber direito o que fazer. Não tem leito para operar ela nem aqui, nem em outro hospital de Belém. Essa é a situação da nossa saúde pública”, afirma. Segundo a família, a paciente aguardou atendimento, mesmo estando com fortes dores de cabeça, em uma cadeira.
Outro lado
Em nota, a assessoria do Metropolitano informou que a paciente “encontra-se internada na sala de emergência, recebeu atendimento imediato a sua chegada, realizando todos os exames necessários conforme conduta da equipe de neurocirurgia, e neste momento aguarda leito em Unidade de Tratamento Intensivo, consciente, estável hemodinamicamente e sendo acompanhada pela equipe médica continuamente, com todo acesso ao suporte de vida necessário que requer o caso”, diz a nota, acrescentando que “não procede a informação que a paciente encontra-se no corredor”.
(Diário do Pará)
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