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MST exige que governo do Pará cumpra promessas

Em colunas organizadas e avermelhadas, crianças, mulheres e homens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saíram em marcha da sede do Incra, na estrada da Ceasa, bairro do Souza, em Belém, por volta das 10h de ontem. Cerca de 250 camponeses

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Em colunas organizadas e avermelhadas, crianças, mulheres e homens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saíram em marcha da sede do Incra, na estrada da Ceasa, bairro do Souza, em Belém, por volta das 10h de ontem. Cerca de 250 camponeses ocuparam parte das avenidas João Paulo II e Almirante Barroso na caminhada até o prédio da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), localizada na travessa do Chaco, bairro do Marco. Ao chegarem, eles entraram, subiram as escadas e ocuparam o auditório.

Após reunião com o próprio governador Simão Jatene, em 2010, teria ficado acertada uma extensa pauta de reivindicações do MST, como melhoria da infraestrutura de escoamento de produtos, construção de escolas e postos de saúde nos assentamentos, bem como instalação de infocentros. Porém, nem 10% desse acordo teria sido cumprido, segundo Ulisses Manassas, diretor estadual do movimento. “Estamos acampados no Incra desde a última quinta-feira (17) porque, além do governo estadual, o governo federal até agora não cumpriu as promessas feitas. Não desapropriou fazendeiros que ocupam terras públicas e não legalizou a situação de sete mil famílias acampadas de forma irregular no Pará”, informou Ulisses. “Se na reunião marcada para amanhã [hoje] não comparecer algum diretor nacional, não sentaremos, porque até hoje não tivemos avanços com a subsede paraense”, avisou.

Trabalhadores de Irituia, Acará, Santa Izabel, Santa Bárbara, Mosqueiro, Santa Maria e outras cidades só desocuparam o auditório após estar completa a mesa de negociação por parte da Sagri. Representando o MST, 19 trabalhadores participaram da negociação.

Duas viaturas da Rotam foram acionadas para garantir a integridade da sede da Sagri, mas se retiraram antes mesmo do início da reunião. “O MST está fazendo uma manifestação pacífica. Comparecemos até o local como rotina, mas tudo está caminhando conforme orientação da direção do movimento, para não depredarem ou destruírem um patrimônio que é deles”, explicou o major Carlos Oliveira, subcomandante da Ronda Tática Metropolitana (Rotam).

Negociação

O grupo de lideranças do MST foi recebido por uma comissão do governo estadual formada pelo titular da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), Hildegardo Nunes, secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção do Estado, Sidney Rosa, presidente da Emater, Cleide Amorim de Oliveira, presidente do Iterpa, Carlos Lamarão, secretário adjunto de Ensino da Seduc, Licurgo Brito, e representantes do programa Pará Rural.

Os líderes do MST cobraram do governo o cumprimento da pauta acordada em 2010. Segundo Ulisses Manassas, diretor estadual do MST, o governo realizou a autocrítica e avaliou a lentidão na garantia das reivindicações. “Formamos equipes de trabalho para tocar outros pontos. Uma das principais, que é a política de agroindustrialização da produção nos assentamentos, conseguimos”, disse.

Ulisses disse que o governo garantiu que vai encaminhar uma equipe técnica para os assentamentos para verificar quais os mais adequados para iniciar o processo. “Tem a questão dos maquinários para o beneficiamento da produção. Eles garantiram que vão dar andamento, assim como na mecanização das áreas de assentamento”, destacou.

Sobre a regularização fundiária, o líder do MST informou que a comissão do governo vai marcar uma audiência no Tribunal de Justiça do Estado para pedir informações sobre as áreas que estão sub judice. “Existem áreas em que há intenção do governo em regularizar, mas existem pendências com os que se dizem donos da área que entraram na justiça pedindo a terra de volta. Eles querem saber até quando esses processos serão julgados”, explicou. Os trabalhadores vão permanecer na sede do Incra até que o governo federal envie um representante para negociar.

(Diário do Pará)

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