A fila fazia o contorno no pátio de entrada. Em um determinado ponto, o sol da manhã já castigava quem saiu de casa cedo na esperança de finalmente receber o dinheiro que ficou um mês retido. Sem lugar para sentar, muitas pessoas, incluindo idosos, abriram mão do conforto e descansaram no chão. Sobraram reclamações, queixas e clientes indignados. Este foi o cenário de uma das agências principais do Banco do Estado do Pará (Banpará), ontem pela manhã, localizada na Avenida Senador Lemos.
Os trabalhadores do banco decidiram colocar fim à paralisação, que já durava um mês, em assembleia realizada na noite da última sexta-feira (18). Por conta disso, alguns grevistas só tomaram conhecimento de que a greve havia encerrado segunda-feira de manhã. Os funcionários garantiram reajuste de 8% no salário, 8,5% de aumento no piso salarial, 50% de reajuste no anuênio e aumento em 1,8% no adicional na participação nos lucros e resultados. No início do ano que vem, haverá reajuste de 5% no salário base.
A estudante universitária Mônica Araújo, 38, estava revoltada com a falta de estrutura da agência. “Tem gente aqui desde 7h na fila e não tem nem lugar pra sentar enquanto a pessoa espera! É um desrespeito, principalmente com as pessoas mais velhas. A gente tá aqui porque precisa, não porque quer. O banco deveria abrir mais cedo”, argumenta. A dona de casa Silvia Guedes, 42, tem uma opinião ponderada a respeito da greve. “Eles têm o direito de lutar pelas causas deles, mas nós também temos nossos direitos. Eu vim três vezes aqui e não consegui receber meu dinheiro”, conta.
(Diário do Pará)
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