O Fazendeiro Lorival de Souza Costa, conhecido como “Perrucha”, e seu filho Domício Souza Neto, conhecido por “Raoul”, acusados de participação na morte do sindicalista José Dutra da Costa, o “Dezinho”, serão submetidos a júri popular nesta quinta-feira, 24, sob a presidência do juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, titular do 2º Tribunal do Júri da Capital.
O julgamento foi desaforado da comarca de Rondon do Pará, jurisdição do crime, para Belém em decisão unânime dos desembargadores das Câmaras Criminais Reunidas do TJPA. O órgão colegiado acolheu pedido do representante do Ministério Público do Estado na comarca, para garantir a segurança e isenção dos jurados. A sessão está marcada para iniciar às 8h e não tem hora para terminar, devendo se estender por todo o dia e continuar no dia seguinte.
Estão previstos os depoimentos de 18 testemunhas, entre elas seis arroladas pela acusação, e as demais indicadas pela defesa, além do interrogatório dos acusados. A sessão do Tribunal do Júri é pública e funciona nos plenários do júri do prédio do Fórum Criminal da Capital, localizado na Cidade Velha, bairro central de Belém.
O crime ocorrido no dia 21 de novembro de 2000, naquela cidade de Rondon do Pará, distante cerca de 500 Km de Belém, teria sido motivado por conflitos pela posse de terra naquela região do sudeste do Estado, conforme as investigações. À época, o sindicalista José Dutra da Costa, conhecido como “Dezinho”, presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon e denunciava o trabalho escravo praticado em fazendas da região.
“Dezinho também apoiava a luta das famílias sem-terra, pela desapropriação dos latifúndios improdutivos e a arrecadação das terras griladas no município. Após sua morte, Maria Joel, viúva do líder sindical, assumiu a bandeira de luta do marido e atualmente vive sob proteção do Estado por sofrer ameaça de morte de fazendeiros da região.
Acusação
O fazendeiro Lourival de Souza Costa responde pela acusação de ser um dos mandantes do crime. Também acusado pelo representante do Ministério Público do Estado o filho dele, Domício de Sousa Neto que também será julgado. Domício, filho de Lorival, teria intermediado o crime e fornecido a arma usada pelo executor Wellington de Jesus. Este último já foi julgado e condenado a pena de 29 anos de reclusão em regime inicial fechado, em 2006. Outro fazendeiro e madeireiro da região Décio José Barros Nunes, o Delsão, também responde como mandante da execução, sendo que seu processo foi desmembrado por se encontrar em grau de recurso.
(Diário do Pará com informações do TJE)
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