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Centro comercial virou depósito de lixo e entulho

Mato, lixo, entulho, mau cheiro e até animais mortos. É assim o cenário hoje do antigo Centro Comercial da 8 de Maio, em Icoaraci, que há quase dois anos deixou de ser local de trabalho e fonte de renda para quase cem famílias, para servir apenas como dep

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Mato, lixo, entulho, mau cheiro e até animais mortos. É assim o cenário hoje do antigo Centro Comercial da 8 de Maio, em Icoaraci, que há quase dois anos deixou de ser local de trabalho e fonte de renda para quase cem famílias, para servir apenas como depósito de lixo e esconderijo para bandidos e usuários de drogas. O abandono e o descaso do poder público são motivos de indignação para moradores e comerciantes de três ruas de acesso aquele local que, são obrigados a conviver com a situação precária que, ainda não tem previsão de ser resolvida.

Antes, o local era formado por pequenas lojas de marcas famosas, salões de beleza, bares, mercados de venda de alimentos e fontes de sustento para muitas famílias, mas acabou sendo transformado em um antro de problemas. Há 18 anos, Ramos é dono de uma loja próxima ao antigo Centro e disse que enquanto o espaço funcionava a bandidagem passava longe dali, mas nos últimos anos surgiu a onda de assaltos por conta do abandono no local. “Minha loja nunca tinha sido assaltada, agora duas vezes já entraram aqui. À noite, isso é pior. Sem contar que outros utilizam para consumir droga”.

Ramos contou que telhas e até ferros foram roubados aos poucos logo depois que os trabalhadores foram retirados. “Ficamos reféns da promessa de voltar a ser outro mercado”. Assim também afirmou Noeli do Carmo, que mora próximo. “Aí serve para os bandidos repartirem frutos de roubo e se esconderem. Tenho medo até de passar em frente”.

Alex Ferreira trabalha na rua Mauro Carvalho como batedor de açaí. Ele contou que a população é outro problema. “Eles acham que aqui é depósito de lixo e jogam tudo o que não presta. Fica uma fedentina, quem sofre é a gente. Eu preciso pagar os trabalhadores da coleta de lixo para levarem o meu consumo diário porque eles não entram aqui”, comenta.

Famílias estão em dificuldade até hoje

A retirada dos pequenos comerciantes, que trabalhavam em boxs durante anos naquele Centro, aconteceu em novembro de 2011, devido a um suposto risco de desabamento da estrutura. A promessa era de que eles seriam remanejados para outro local que, segundo os comerciantes, até hoje não ocorreu e, por conta disso, muitos estão enfrentando dificuldades para sobreviver.

Órgãos da prefeitura teriam notificado os comerciantes para saída em 48h, mas, segundo a presidente da Associação dos Lojistas e Feirantes do Centro Comercial de Icoaraci (Alfecci), Eliana Coutinho, a retirada aconteceu no mesmo dia do aviso, e contou com a presença da polícia.

“No governo municipal anterior, toda a verba que já estava separada para a reforma do local desapareceu. Eles prometeram que iriam ajeitar por que pedimos a vistoria que condenou a estrutura do centro. O grande problema agora é que além do espaço está abandonado, mais de 73 famílias dependiam integralmente daquelas vendas e estão em dificuldades”, reclamou Eliana.

Maria Raimunda, que possuía uma loja de roupas, ressaltou que a situação é complicada por que muitos dos trabalhadores eram homens e mulheres com mais de 40 anos, o que dificulta o novo ingresso no mercado de trabalho. Ela contou ainda, que alguns deixaram de investir nos estudos dos filhos. “A situação é mais grave. Tem gente que hoje faz tratamento psicológico, ficaram depressivos depois que fomos obrigados a sair e não deram outra forma de trabalho”.

Para ajudar e atender o clamor dos comerciantes, a vereadora Sandra Batista se reuniu com a associação e com a Secretaria Municipal de Economia (Secon), em uma tentativa de solucionar o problema. Segundo ela, o secretário Marco Aurélio Nascimento alegou não ter verba para construir e que tentará remanejar aquelas pessoas. “Fomos até o Ministério Público que já notificou a Secon no prazo de 10 dias para se posicionar. Caso não resolva, iremos ingressar com uma ação civil pública e ainda cobrar danos morais e materiais. É o direito ao trabalho que é fundamental na Constituição que está sendo violado”, afirma.

(Diário do Pará)

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