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Trabalhador gasta em média uma hora no trânsito

A Região Metropolitana de Belém (RMB) - juntamente com a de Salvador -, registrou o maior aumento do tempo gasto no percurso de casa para o trabalho. Mais de 10% dos moradores da RMB gastam, em média, 32,8 minutos em cada deslocamento, ou seja, mais de um

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A Região Metropolitana de Belém (RMB) - juntamente com a de Salvador -, registrou o maior aumento do tempo gasto no percurso de casa para o trabalho. Mais de 10% dos moradores da RMB gastam, em média, 32,8 minutos em cada deslocamento, ou seja, mais de uma hora por dia enfrentando trânsito e engarrafamentos.

Comparados os dados de 1992 e 2012, na RMB o tempo médio passou de 24,6 para 32,8 minutos, elevação de 35,4%. Na de Salvador, passou de 31,2 para 39,7 minutos (crescimento de 27,1%). Os dados fazem parte do estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Carlos Henrique Carvalho, essa é uma situação que tem impacto negativo na produtividade dessa parcela da população. “Não se pode esperar que a produtividade (desses trabalhadores) seja igual à de um que leva menos de 30 minutos, por exemplo, para chegar ao trabalho. Isso traz fortes impactos do ponto de vista social e também econômico, já que a produtividade é comprometida em razão do desgaste que esse trabalhador tem ao levar muito tempo e em condições muitas vezes desfavoráveis de transporte”, disse.

O pesquisador destaca que, nas regiões metropolitanas onde o tempo de deslocamento é mais baixo, apresentam-se melhores condições de transporte público. Ele destaca a região metropolitana de Porto Alegre, que apresentou o menor tempo de percurso no estudo, cerca de 30 minutos. Segundo ele, este tempo pode ser explicado pelo fato de ter uma extensa rede de corredores de transporte público, além de uma melhor distribuição das atividades econômicas pelo espaço geográfico.

Brasileiro

O tempo médio que o brasileiro leva para chegar ao trabalho é de 30,2 minutos. Considerando o conjunto de trabalhadores do país, 10% levam mais de uma hora por dia nesse trajeto e 65,9% gastam menos de meia hora.

O Estudo de Mobilidade Urbana mostra que, ao contrário de outras unidades da Federação, a população paraense sofre os transtornos no trânsito dentro do transporte público já que, a posse de veículos privados no Pará é uma das menores do país, com 15,4% de carros por domicílio e 24,9% de motos.

Ao todo 36,5% da população utiliza transporte privado e quase 68% da população se desloca para o trabalho de ônibus.

Para se ter uma comparação, no estado de Santa Catarina, por exemplo, cerca de 75% dos domicílios possuem carro ou moto. Paraná e Distrito Federal se destacam logo atrás, com 67,7 e 64,1% de presença de meio próprio de locomoção (carro ou moto).

No Norte e Nordeste estão os menores índices de motorização por domicílio, sendo o menor percentual registrado em Alagoas (32,4%). “Observa-se um padrão de aumento das taxas de motorização nos estados com menor renda per capita média, já que nessas localidades havia forte demanda reprimida por parte da população para aquisição de bens duráveis”, revela o estudo do Ipea, feito com base nos dados do Pesquisa Nacional por Domicílio (Pnad) de 2012.

Necessidade de distribuir atividades

No conjunto das regiões metropolitanas, os trabalhadores passaram a gastar 40,8 minutos em 2012. Vinte anos antes, despendiam 36,4 minutos. De acordo com o estudo, esse aumento de aproximadamente 12% no período foi três vezes maior que o observado nas regiões não metropolitanas, onde o tempo gasto passou de 22,7 minutos para 23,6 minutos (elevação de 4,2%).

Carlos Henrique Carvalho defende que os governos devem criar incentivos para distribuir melhor pelo território as atividades econômicas e, consequentemente, os empregos, além de priorizar os investimentos em transporte público.

“Não é o que temos visto no país, onde houve congelamento do preço da gasolina e, diante de crises, redução dos tributos para aquisição de veículos novos. Não se pode criar barreiras para aquisição de veículo individual, mas devemos seguir o padrão europeu, em que todos têm (esse bem), mas as políticas incentivam o seu uso racional, seja por meio de cobrança de estacionamento ou de pedágio urbano, além de investimentos na expansão das redes de transporte público e dos corredores de ônibus exclusivos”, destaca o pesquisador do Ipea.

Ele também destacou que, pela primeira vez, o número de famílias brasileiras com pelo menos um automóvel ou uma motocicleta ultrapassou a marca de 50%. Em 2012, a proporção chegou a 54%, 9 pontos percentuais a mais do que em 2008, quando 45% dos lares tinham um veículo particular. A tendência, segundo o comunicado, é que o número aumente ainda mais nos próximos anos.

(Diário do Pará)

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