Ainda não eram 10 horas da manhã quando os primeiros alunos chegaram às escolas de Belém para o segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a prova nacional que está sendo usada para seleção de universidades brasileiras, incluindo a Universidade Federal do Pará. Em todo País mais de 7 milhões de alunos eram esperados, 330 mil deles estavam no Pará. O número total é 26% maior que o registrado no ano passado
O clima era de expectativa pelo segundo dia de provas, considerado o mais difícil, e também de reclamações por problemas registrados no sábado, quando foi realizada a primeira prova. Candidata a uma vaga no curso de medicina, Renata Castanho, 26, foi uma das primeiras a chegar ao Colégio Souza Franco na avenida Almirante Barroso. Moradora do bairro do Tapanã, chegou ao local de ônibus e esperou uma hora pela a abertura dos portões. “Melhor esperar do que perder a prova por atraso”, justificou. Cadeirante, Renata reclamou por não ter sido atendida no pedido de fazer a prova em andar térreo. Foi obrigada a subir uma rampa. “Tem a rampa, mas tenho medo de subir”, justificou.
Grávida de 39 semanas, Raíza Araújo, 22, foi fazer a prova acompanhada da mãe, Rosângela. Reclamou por ter sido obrigada a subir escadas e do calor na sala de aula. “Tem horas que a gente fica até sem conseguir respirar”. Com laudo médico e comprovante de inscrição onde pedia acompanhamento da mãe para fazer a prova, foi informada já na escola que não teria direito ao atendimento especial. A mãe acabou esperando quase quatro horas em frente à escola. “O bebê pode nascer a qualquer momento e se ocorrer ela vai precisar de alguém para ajudá-la a ir para o hospital”, disse a mãe.
Thaís Borges, 18 anos, pensou em levar o filho de sete meses para a sala de aula, mas disse que desistiu por causa do calor enfrentado no dia anterior. No Pará, segundo dados do Instituto nacional de Estados e Pesquisas Educacionais, 394 gestantes e 601 lactantes se inscreveram para fazer a prova, além disso 22 idosos que pediram algum tipo de atendimento especial. Em Belém, foram 136 locais de prova e, em todo o Estado, 750.
Em várias escolas, os diretores pediram reforço policial, principalmente para evitar problemas com candidatos atrasados e que poderiam se exaltar na tentativa de fazer a prova. No final da manhã, a reportagem do Diário passou pelos maiores locais de prova de Belém, mas não verificou registros de incidentes.
Considerada mais trabalhosa por incluir a redação, a etapa do Enem de ontem teve duração de cinco horas e meia. Os alunos responderam às questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias e deveriam fazer a redação que teve como tema a Lei Seca. O tema foi considerado mais fácil pelos professores que o de 2012, quando os alunos tiveram que dissertar sobre movimento migratório para o Brasil.
Proibição
O Ministério da Educação manteve a proibição de imagens do local de prova. Nem mesmo as equipes de reportagem puderam registrar as salas de aula. Os fiscais e coordenadores também foram proibidos de dar entrevistas sobre a prova.
Ontem pela manhã, o clima em frente a uma faculdade era tranquilo, mas muitos pais e mães de alunos decidiram acompanhar os filhos para garantir que tudo correria bem. “Minha filha achou a prova de ontem boa e está confiante”, contou o servidor público Gilberto Pinhais que aguardava a filha Graziela em frente ao local de prova. Já a consultora de moda, Vera Mara disse que temia pela filha que estava bastante nervosa. “Ela é muito estudiosa, mas pode ter o famoso branco”, contou.
(Diário do Pará)
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