Ainda que a expectativa de maior movimentação seja para hoje, muitas foram as pessoas que lotaram as ruas do cemitério de Santa Izabel, no Guamá, já na manhã de ontem. Preocupados em não enfrentar sufoco no Dia de Finados, marcado todo dia 2 de novembro do ano, amigos e familiares adiantaram as homenagens aos parentes falecidos.
Com o coração mais ameno pela homenagem prestada à mãe, o auxiliar de contabilidade Marcos Vinícius tinha apoio na presença da irmã Rosilene de Fátima. Com a separação ainda muito recente, eles não poderiam deixar de visitar o túmulo da mãe às proximidades do Dia de Finados. “Minha mãe faleceu tem pouco tempo, esse é o primeiro dia de finados depois que ela se foi. A gente não tinha como deixar de vir trazer flores, velas, conversar com ela”, destaca, ao lembrar que a ida ao cemitério ainda na véspera foi estratégica. “A gente quis evitar o sufoco de amanhã. A gente tem muitas lembranças da nossa mãe e ficamos mais confortados de poder vir aqui homenagear ela. Se viéssemos no dia do sufoco ia ser mais complicado de ficar tranquilo aqui com ela”.
Enquanto muitos já prestavam suas homenagens, geralmente carregadas de buquês de flores, houve também quem ainda tentasse fazer um último ajuste nas sepulturas. Surpresa com o estado da sepultura que abriga o corpo da tia e do pai, a autônoma Tereza Silva não escondia a tristeza. “Abriram aqui. Levaram essa tampa que tinha aqui. Ficavam umas lajotas, agora só tá o cimento”, assustava-se. “Tiraram o retrato dela até, só deixaram o do marido. Isso aqui teria que ter mais segurança, não pode ser assim. Agora não sei nem o que eu faço. Estou perdida!”.
Na tentativa de amenizar os estragos causados pelos roubos de peças do túmulo dos tios com as muitas flores levadas, Tereza ainda tentava se recuperar da indignação do roubo percebido em outra sepultura da família, a de seu pai. “Roubaram até os Cristos de bronze português que ficavam no túmulo de meu pai, levaram tudo. Deveriam cuidar melhor disso aqui. O cemitério exige muito da gente, que a gente faça cadastro e não sei o que, mas cadê o resto que não temos aqui?”, questionava-se, ao lembrar que não poderia deixar de homenagear os entes neste período do ano. “Eu sempre venho no dia das mães, no dia dos pais e na véspera do dia de finados pra não ter sufoco. Trouxe vela para que eles sejam iluminados”.
Trabalho extra começou semana passada
Debruçado sobre a sepultura de outra família, o ajudante de zelador Renato Wanzeller corria para deixar tudo pronto. Com trabalho agendado ainda na véspera do feriado, os trabalhos extras em decorrência do dia de finados iniciaram ainda duas semanas antes. “A maior parte das pessoas pede que faça a limpeza da sepultura mesmo, outros querem que reforcem a pintura das letras”, comenta. “Às vezes aparece esse serviço extra”.
Já responsável por cuidar de 30 sepulturas, o zelador Waldecir Gouveia ainda conseguiu mais sete serviços extras de reforma de sepulturas. Sem dúvida, para ele, esse é o melhor período do ano para quem trabalha com isso. “Esse é o dinheiro que a gente leva já pro final do ano, pra pagar as contas”, comenta. “Eu faço R$500 pra cliente pra reformar a sepultura toda”.
Também com a expectativa de maior faturamento, o vendedor de flores João Guilherme espera um aumento de 70% nas vendas, apesar de não saber mensurar, em reais, esse crescimento. “A expectativa é boa. Amanhã [hoje] é que é o dia”, acredita. “Não tenho base de quanto dá pra tirar, mas esse é o melhor período pra venda. O galho a gente vende por R$2”.
(Diário do Pará)
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