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Bolsa Família segue nas graças de seus favorecidos

Lançado em 20 de outubro de 2003, ainda no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família sempre foi alvo de críticas. Considerado assistencialista, nunca pôs o dedo real na ferida das origens do abismo social no país, costumam diz

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Lançado em 20 de outubro de 2003, ainda no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família sempre foi alvo de críticas. Considerado assistencialista, nunca pôs o dedo real na ferida das origens do abismo social no país, costumam dizer os especialistas. Dez anos depois, o governo brasileiro recebeu prêmio internacional por causa do programa. A Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA) anunciou na Suíça o país como vencedor do I Prêmio Award for Outstanding Achievement in Social Security, em reconhecimento ao sucesso do Bolsa Família no combate à pobreza e na promoção dos direitos sociais da população mais vulnerável do Brasil.

Paula Cristina Braga, 31 anos não está muito preocupada com as críticas ou premiações ao Bolsa Família. O que ela deseja é poder dar aos dois filhos a possibilidade de estudo que eles têm atualmente. Paula morava em Belém, mas vive hoje em Viseu. “Em Belém, durante cinco anos eu recebia R$ 30”, diz ela. Parece pouco. É pouco, mas com esse dinheiro Paula começou a fazer pequenos planos.

“Em Viseu o dinheiro passou a ser R$ 130. Com isso, pude dar estudo melhor ao meu filho mais velho. Pago reforço escolar para ele. Também compro as coisas que os dois precisam. Tento direcionar tudo para o estudo deles”, diz. O filho mais velho de Paula tem 13 anos e o mais novo, 11.

Se o sucesso do programa ajudou a alavancar a campanha de Lula pela reeleição e robusteceu a sucessora Dilma Rousseff, ou seja, foi usado como moeda política, isso não parece incomodar os beneficiários. Alçados a um patamar de consumo até então inexistente, os muito pobres fizeram a diferença para o PT nessa última década. E o dinheiro fez a diferença na vida de quem recebe o benefício.

“Estou feliz que esse ano vai aumentar para R$ 240”, comemora Paula Braga. Ela faz planos. “Eu não tinha condições de comprar nada, mas agora posso dar um calçado melhor para os meninos, uma roupa melhor, coisas assim”.

Alcance

O Bolsa Família acabou sendo o amadurecimento de alguns mecanismos de transferência direta de renda já postos em prática anteriormente. O Bolsa Escola foi um dos primeiros. Alguns surgiram ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás. O que o Bolsa Família fez foi ampliar essas bolsas transformando-a numa só, com alcance maior.

Ronielle Teixeira, 19 anos, teve o filho ainda no final da infância e início da adolescência. Com 13 anos, pouco sabia do próprio lugar no mundo, mas tornou-se mãe. Incentivada pela ex-sogra, conseguiu o benefício depois de três meses do período em que deu entrada no pedido. Passou a receber R$ 102. “Foi um respiro”, diz ela. Com o dinheiro recebido, Ronielle passou a sonhar. “Já consigo comprar coisas”, diz. Moradora do bairro da Cabanagem, repassa o que recebe para ajudar a criar o filho. “É para ele isso”, garante.

Essas mudanças no patamar social causadas pelo Bolsa Família foram o maior motivo de o programa ser reconhecido fora do continente. A Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA) é a principal organização internacional voltada à promoção e ao desenvolvimento da seguridade social no mundo, atuando na produção de conhecimento sobre o tema e no apoio aos países para a constituição e aprimoramento de sistemas de proteção social. Fundada em 1927, a organização tem filiadas 330 organizações em 157 países. O prêmio, entregue a cada três anos, é atribuído a instituições e programas, conforme a relevância de sua contribuição. Sua primeira edição foi dedicada ao Bolsa Família porque, segundo a ISSA, o programa é uma “experiência excepcional e pioneira na redução da pobreza e na promoção da seguridade social”.

“Foi uma bênção para mim”, diz Telma Pierre, 52 anos. Moradora de Curuçá, ela passou uma semana no bairro Cordeiro de Farias, em Belém cuidando de um dos onze filhos, acamado por conta de uma cirurgia para extração de pedras na vesícula.

“Logo quando recebi a primeira vez, era época de início das aulas. Comprei material escolar”, lembra. Telma recebe R$ 180. “Não é muito, mas ajuda até a reformar a casa. Estou colocando umas lajotas e esse dinheiro é que faz a diferença”, garante.

Como a que promete Paula Braga. “Agora tenho crédito nas lojas, vou começar a comprar. Meu sonho é dar um Playstation pros meninos. Quero ver quem me segura”, promete.

(Diário do Pará)

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