Após uma semana de muita tensão, envolvendo graves denúncias de crime eleitoral e ameaças a equipes de reportagens, os eleitores de Palestina do Pará, no sudeste do Estado, a cerca de 600 quilômetros de Belém, foram às urnas ontem para decidir, em eleição suplementar, o novo prefeito do município.
Por volta das 18h, o juiz Luciano Mendes Scaliza, da 57ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, divulgou o resultado do pleito, que levou às urnas 6.126 eleitores. Após a totalização dos votos, o candidato Valciney Ferreira Gomes (PMDB) foi o mais votado, com 2.542 votos, representando 53,93% do total. O segundo mais votado foi Abeuvaldo Pereira de Souza (PSDB), com 2.146 votos (45,55%). Em terceiro ficou o candidato Luiz Gonzaga de Albuquerque Sobrinho (PRB), com 23 votos (0,49%). O número de abstenções foi de 1.265 (20,65% do total).
A eleição suplementar foi convocada porque a prefeita reeleita Maria Ribeiro (PSDB), que teve mais de 50% dos votos válidos, teve o mandato cassado por compra de votos. Em sua primeira fala como eleito, Valciney destacou que seu plano de governo será focado no “retorno da dignidade do povo de Palestina”. Ele disse que vai trabalhar, principalmente, “na saúde, educação e nas melhorias das vias”. A diplomação de Valciney e do vice-prefeito Berlandio Soares da Silva pelo TRE está agendada para o próximo dia 21.
Rivalidade
A eleição transcorreu tranquila durante toda a manhã e a tarde de ontem, segundo os responsáveis pela segurança. Apenas no início da contagem dos votos, por volta das 17h, foi necessária a intervenção da Polícia Militar para conter os ânimos de eleitores, que ameaçaram uma pequena confusão. Quarenta policiais militares estiveram acompanhando todo o processo eleitoral.
De acordo com o delegado Vinicius Cardoso, a eleição suplementar foi tranquila. Foram registradas poucas conduções de eleitores à delegacia e apenas uma apreensão de veículo - na chegada da cidade, com papéis de campanha.
As denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral serão todas apuradas. Não houve nenhum flagrante (com informações de Willian Costa, da RBATV de Marabá).
Crime eleitoral e jornalistas hostilizados
A eleição suplementar em Palestina do Pará esquentou na última semana, quando máquinas contratadas pelo governo do Estado chegaram ao município. Obras de pavimentação e abertura de ruas que começaram a ser realizadas muito próximo ao pleito foram consideradas eleitoreiras pela coligação de Valciney Gomes. O candidato ingressou com ação denunciando suposto crime eleitoral. O juiz Luciano Mendes Scaliza mandou paralisar as obras e recolher as máquinas ao pátio da Secretaria Municipal de Agricultura, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, caso o maquinário fosse removido antes da eleição.
Por conta de toda essa situação – na segunda, terça e quarta-feira –, o clima esteve pesado em Palestina. Pelo menos três equipes de jornal e TV que saíram de Marabá para cobrir o caso foram hostilizadas por cabos eleitorais ligados a Adeuvaldo. Num dos casos, uma equipe de um jornal local viveu momentos de pânico. Os cabos eleitorais sacudiram o carro da reportagem, tentando tombar o veículo e ainda ameaçaram atear fogo no veículo. Os jornalistas tiveram de ir embora. A eleição suplementar em Palestina do Pará atraiu a presença de lideranças das principais legendas que disputam a eleição. O senador Jader Barbalho (PMDB) chegou a Marabá na quinta-feira, de onde seguiu imediatamente para Palestina dar o apoio a Valciney. O governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), também esteve na quinta-feira no município, mas evitou chegar via aeroporto de Marabá, para não enfrentar críticas de populares.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar