O clima de Natal pode até ser prazeroso para o paraense castigado pelo sol durante a maior parte do ano. Mas com o aumento da quantidade de chuvas, que caem sobre a cidade, aparecem os alagamentos e, consequentemente, os transtornos no trânsito. Longas filas se formavam nas principais vias de trânsito da cidade. Houve quem ficasse parado por horas na tentativa de chegar em casa depois do trabalho.
“Estou há 20 minutos parada aqui. Cansada, exausta querendo chegar em casa”, disse Jessica Pena, 34 anos, enquanto olhava para a fila de incontáveis carros formada à frente dela. A moça transitava pela avenida João Paulo II, nas proximidades da travessa Mariz e Barros, pouco depois das 17h e o caos já estava instalado.
Na Timbó, próximo ao canal da Vileta, quem precisava atravessar a rua enfrentava um rio. A via que dá acesso ao outro lado do canal estava tomada pela água. Com o alagamento, muita sujeira, lixo e lama se espelhavam por todos os lados. Algumas casas, inclusive, foram invadidas pela chuva.
Um dos pontos mais atingidos foi o cruzamento da Alcindo Cacela com a Mundurucus, na Cremação. Resultado: carros com água na altura das rodas e tráfego de veículos praticamente parado.
Outros locais também apresentaram alagamentos, como a Pedro Miranda, Augusto Montenegro e 9 de Janeiro, dificultando a vida dos transeuntes. Na avenida Almirante Barroso, principal via de escoamento do trânsito da capital, o congestionamento era imenso. Motoristas exaltados utilizavam o corredor construído para ser utilizado pelo BRT.
Ali, sair do lugar era quase milagre. O condutor levava mais de duas horas para conseguir chegar a São Brás. Chegando nas avenidas Ceará e Governador José Malcher, a situação era a mesma. Os carros buscavam alternativas, em vão. Para onde tentavam fugir, encontravam mais caos.
Para piorar, não se viam agentes de trânsito da Semob (antiga CTBel), deixando os motoristas à própria sorte.
Ainda na noite de ontem, quando a chuva se transformara em chuvisco, ainda havia pontos de alagamento. No bairro da Batista Campos, na rua dos Pariquis com a travessa Rui Barbosa, o cruzamento ficou totalmente tomado pela água que emanava odor de esgoto a céu aberto.
Na travessa Doutor Moraes com a avenida Fernando Guilhon, na Cremação, uma mulher mergulhava as pernas na água contaminada das margens do canal para poder chegar até a porta de casa.
O estudante Paulo Victor Cordeiro também reclamou do trânsito lento e da irresponsabilidade de alguns condutores. “Eu sai da travessa Curuzu às 17h10 e fui buscar a minha noiva na avenida José Malcher para depois ir para minha casa que fica em Ananindeua. Levei mais de três horas para fazer esse percurso. A avenida Almirante Barroso não andava de jeito nenhum, no sentido Ananindeua/Belém, nunca vi nada parecido. No outro sentido as coisas não eram diferentes, não passava nem carro, mas vi alguns veículos e motos circulando pelo BRT. Hoje foi muito difícil dirigir. Além do mais não conseguir ver nenhuma agente da Secretaria Executiva de Mobilidade Urbana de Belém”, reclamou.
Sesan: coincidência gerou problemas
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informou, por meio de nota, que a coincidência da chuva de ontem com a maré alta - de 3,3 metros – ocasionou pontos de alagamentos em algumas áreas mais baixas na cidade. No texto da assessoria, o coordenador do Instituto Nacional de Meteorologia, José Raimundo Abreu, afirma que em menos de 24h foi registrado em Belém o equivalente a 50% do volume de chuva esperada para todo o mês de novembro.
Segundo ele, chuvas acima da média devem continuar ocorrendo até a próxima quinta-feira, 07. De acordo com o instituto, o volume de chuva detectado é incomum para esta época do ano. “A Sesan ressalta que vem trabalhando desde o início do ano na recuperação e manutenção das comportas para impedir que a água da maré interfira no escoamento dos principais canais da cidade”, explicava o texto.
A secretaria garantiu que desenvolve ação permanente para evitar obstruções no escoamento da água da chuva, “somente este ano foram coletadas mais de 181 mil toneladas de entulho às margens dos canais, e cerca de 280 mil toneladas de lixo domiciliar. Foram desobstruídos aproximadamente 1.000 km de rede de drenagem pluviais, com mais de 50 mil bueiros e bocas de lobo limpos e recuperados, reduzindo pontos de alagamento”, esclarecia.
Trânsito
Já sobre os problemas no trânsito, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) esclareceu que a lentidão, como a registrada desde o final da tarde e início da noite desta terça-feira, é consequência de fenômenos naturais. “Diante deste quadro, mesmo com o reforço de agentes nas ruas dada a emergência, é impossível cobrir todos os pontos críticos de alagamento e congestionamento e inevitável que a cidade apresente trânsito lento, o que ainda piora com o registro de acidentes e de cruzamentos fechados por condutores que não respeitam as regras de trânsito”, completou a nota da superintendência.
(Diário do Pará)
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