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Infarto mata um brasileiro a cada 5 minutos

No acordar de uma manhã de domingo, o contador José Tavares foi tomado pelo acontecimento já aguardado há algum tempo, mas pouco evitado. De pé já às 5h30 com a perspectiva de arrumar o escritório instalado dentro da ampla casa onde mora, o plano foi inte

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No acordar de uma manhã de domingo, o contador José Tavares foi tomado pelo acontecimento já aguardado há algum tempo, mas pouco evitado. De pé já às 5h30 com a perspectiva de arrumar o escritório instalado dentro da ampla casa onde mora, o plano foi interrompido quando o senhor, à época com 53 anos, ainda cuidava da higiene pessoal. “Comecei a transpirar excessivamente e aquela coisa mórbida foi descendo pelo meu braço...”. Atingido pela doença que mata, hoje, uma pessoa a cada cinco minutos no Brasil, José Tavares infartou antes que conseguisse chegar ao hospital.

Ainda que a forte dor sentida no peito tenha vindo em um momento não esperado, o infarto já era, de certa forma, ‘pressentido’ por José. “Quando comecei a sentir essa dor intensa falei logo para a minha mulher me levar no médico que eu estava passando mal. Assim que eu cheguei e a médica fez o eletrocardiograma, ela disse logo: ‘O senhor está infartando”, recorda, 14 anos após ter sobrevivido ao ocorrido. “Não fiquei assustado com a notícia, já estava preparado para aquilo porque fazia muita coisa errada”.

Longe de ser uma exceção no Brasil, a notícia recebida por José Tavares também é conhecida por mais de 300 mil brasileiros todos os anos, segundo dados do próprio Ministério da Saúde. Influenciada por fatores muito presentes na vida das grandes cidades, o contador conhecia bem o risco que corria. “Eu me alimentava muito mal. Comia muita gordura e nem me preocupava, nunca ia ao médico fazer exames, ver como eu estava”, lembra. “Além disso eu vivia muito estressado. Saía no trânsito naquela agonia, era muito estresse mesmo. São coisas que a gente só entende depois que acontece”.

Conhecidos sem muita profundidade por José Tavares antes do ataque cardíaco – outro nome pelo qual também é conhecido o infarto agudo do miocárdio -, quatro fatores de risco são apontados pelo cardiologista Kleber Ponzi como os principais que podem levar ao desenvolvimento de um infarto. Ainda que apontada como uma doença aguda, o médico explica que os acontecimentos que levam ao seu desenvolvimento decorrem de um processo de longa data.

“Existem quatro maiores fatores: a pressão alta, que é a hipertensão arterial; o diabetes; colesterol alto e o hábito de fumar. Esse é o quarteto do mal”, aponta, ao acrescentar outros elementos que também estão associados. “Aí vem também a herança genética, já que, quando os pais já tiveram doença coronariana, a chance dos filhos terem também é maior. A obesidade também influencia, o sedentarismo, um padrão de vida com estresse constante...”.

Tais hábitos do comportamento interferem diretamente no desenvolvimento de um infarto porque, segundo o cardiologista, esses fatores são os que estão ligados ao envelhecimento das artérias que levam sangue até o coração. À medida que as artérias vão envelhecendo, é como se ficassem mais sensíveis ao colesterol que circula no organismo humano através do sangue. “Nesses casos [quando as artérias vão envelhecendo influenciadas pelos fatores de risco], o colesterol forma uma placa na artéria que leva o sangue para o coração”, detalha. “Ao longo dos anos é como se a nossa artéria fosse apanhando, ficando mais fraca, mais vulnerável e, num dado momento, a artéria simplesmente obstrui”.

Ainda que passíveis de prevenção a partir do controle dos fatores de risco, o médico também aponta a necessidade de maior eficiência do pronto atendimento para evitar que o número de mortes pela doença no Brasil atinja patamares tão elevados. “Em parte essa grande incidência de morte por infartos pode ser evitada se nós tivéssemos duas coisas: prevenção e pronto atendimento médico a partir dos sintomas. Cada vez mais é importante ter uma rede de saúde que funciona bem. Sendo o Samu acionado por alguém com dor no peito, o ideal é que já estivessem preparados para levar um eletrocardiograma para o atendimento domiciliar”, acredita.

“Quando é feito o diagnóstico de infarto ainda na casa, quando o paciente chega no hospital, já está tudo preparado, já se faz o cateterismo na hora, já desobstrui a artéria e você ganha muito tempo com isso. Outra estratégia é fazer o diagnóstico eletrocardiográfico na hora e já no transporte pro hospital o paciente ir fazendo a medicação que desobstrui a artéria. Isso são medidas que podem fazer com que o paciente perca menos músculo, morra menos células do coração”.

(Diário do Pará)

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