As mortes do policial militar Antônio Hélio Borges (no sábado, 9) e de sua companheira, Feliciana Mota (no mesmo dia), alvejados por três assaltantes em fuga durante um assalto ocorrido no último dia 7, quinta-feira, acabaram por se configurar como mais um duro golpe contra a corporação. Em depoimentos às TVs, rádios, jornais e redes sociais, não faltam lamentos exaltando a falta que o casal já está fazendo não apenas por serem duas pessoas queridas pela comunidade, mas pela atuação social em prol da dignidade do profissional que é a personificação do Estado em defesa de toda a população - e que viu seu ganha-pão se tornar um grande e diário risco para sua própria integridade física.
“Eram duas pessoas de luta, que nunca se calaram. Em 1997, o ‘cabo Hélio’, como ele era conhecido, liderou uma grande greve na Polícia e o Governo o expulsou da corporação, ele só voltou 12 anos depois. E voltou pro movimento, não ficou quieto. Estava no sangue”, conta o cabo Francisco Xavier, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará (ACSPMBM). “Estivemos em Brasília (DF) cinco vezes só esse ano na luta pela aprovação da PEC 300, que cria piso salarial para policiais e bombeiros, e da PEC 24, que garante fundos para isso. Era um líder e não ficava quieto porque ele também era policial, queria e sabia que era preciso melhores condições de vida e de trabalho para a categoria”, detalha o colega.
Lutadores
"Íamos, e a Feliciana ia junto, reivindicar uma parte dos lucros da exploração de minérios em Carajás para compor os fundos da Segurança Pública no Estado. 1% que fosse já faria a diferença, e estávamos discutindo isso nas últimas semanas. Ela era tão atuante quanto ele, ou até mais”, relata, lembrando que Hélio e Feliciana eram membros fundadores da Associação de Policiais Militares, Bombeiros Militares e Familiares (Aspol), e que ela ainda presidia a Associação dos Familiares dos Policiais Militares do Pará (Asfamilia). O policial chegou a concorrer a uma vaga de vereador na Câmara Municipal de Belém (CMB) em 2012, mas não se elegeu.
“Era uma briga que não era deles somente. Era da corporação, e também da população, porque eles lutavam para que o policial e o bombeiro tivessem condições de trabalhar na defesa da população. A Feliciana não era PM, mas era como se fosse. Dois guerreiros que se vão e deixam um vazio muito grande na categoria”, afirma o cabo Xavier.
(Diário do Pará)
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