Com cartazes contra uma possível privatização dos hospitais universitários João de Barros Barreto e Bettina Ferro de Souza, dezenas de estudantes participaram da reunião do Conselho Superior Universitário (Consun), da Universidade Federal do Estado do Pará (UFPA), realizada na manhã de ontem.
O reitor da UFPA, Carlos Maneschy, colocou em pauta a primeira discussão sobre a privatização dos dois hospitais. Ele alega ser a única solução para problemas que se arrastam por anos. Segundo o reitor, o tema não estava previsto ainda para entrar em votação, porém, o debate foi antecipado para avaliar a proposta de adesão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH ). Ele explicou que ambos os hospitais vivem dois tipos de instabilidades: administrativo financeiro e do ponto de vista legal.
“Nos últimos anos, há um agravante da crise financeira. Somando as arrecadações do SUS (Sistema Único de Saúde), fixa e as oriundas de convênios, cerca de 30 milhões de reais chegam por ano. Porém, as despesas, que grande parte são do contingente de funcionários, outros contratos e do custeio de medicações, gira em torno de um total de 45 milhões de reais por ano. Ou seja, temos um déficit de 15 milhões, valor esse que é acumulado porque parte desse déficit é coberto com recursos da própria universidade”, explica Maneschy.
A conselheira Vera Jacob afirmou que a situação dos hospitais universitários é difícil, mas diz que entregar as instituições para a iniciativa privada não é a solução.
“As universidades públicas do nosso país têm vivenciado uma série de problemas financeiros que foram paliativamente solucionados, aparentemente de forma mais precária ainda, com uma injeção de recursos, mas que não resolve o problema definitivo. Agora, questiono. Se daqui a pouco as universidades federais enfrentarem dificuldades financeiras como os hospitais universitários estão tendo, a solução vai ser a privatização também das universidades, abertura para o mercado e a cobrança de mensalidade? Porque esse é o caminho que o governo federal vem traçando para os serviços públicos”, questiona.
Recursos
O posicionamento da conselheira foi aplaudido pelas pessoas que não concordam com a privatização. Outros conselheiros reafirmaram a situação caótica do Barros Barreto e Bettina Ferro, mas afirmam que a proposta da empresa não é o meio de sanar as necessidades da saúde pública e que, ao invés de entregar os hospitais a uma empresa privada, a solução mais indicada seria a aplicação de mais recursos.
Para a estudante e coordenadora do DCE, a também conselheira, Silvia Giese, o Consun é o único momento público em que os estudantes possuem com os conselheiros, já que não foi proposto pela reitoria um debate com a comunidade acadêmica.
“É difícil e muito complicado também debatermos agora em um espaço limitado quando a votação deverá acontecer no período de férias, onde muitos de nós estudantes e os trabalhadores não estaremos presentes na universidade. A nosso ver, é uma decisão arbitrária e isso fere a democracia”.
(Diário do Pará)
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