Com os olhos centrados no monumento que se impõe na Praça da República, a professora Eliana Lima bem que tenta identificar a homenagem. Diante das estátuas sujas, da base pichada e da ausência de qualquer placa que conte um pouco da história instalada em um dos pontos turísticos de Belém, a professora confessa que pouco lhe resta de informação sobre o monumento que homenageia a Proclamação da República, comemorada hoje, 15 de novembro. “Eu passo sempre por aqui e não sei dizer o que significa esse monumento”.

De acordo com o historiador Geraldo Mártires Coelho, o monumento foi escolhido dentre tantos outros em um concurso promovido na capital paraense. “Antes da proclamação da república, a praça se chamava Dom Pedro II e em 1891 o intendente de Belém encaminhou um projeto para a construção de um monumento que enaltecesse a república e promoveram um concurso internacional”, explica. “O júri aprovou o projeto de um genovês, Michele São Sebastiano, que fez o monumento de 22 metros de altura que está na frente do Teatro da Paz e que foi inaugurado em 15 de novembro de 1897 pelo governador Paes de Carvalho”.
Com 22 metros de altura, o monumento nunca passa despercebido por Eliana, que transita pelo local diariamente. Ela sente falta, porém, de um cuidado maior com parte da história da cidade. “Esse é um monumento tão bonito e está tão abandonado”, avalia. “No local que deveria ter uma placa explicando o que é, já não tem mais nada”.
Marco histórico
Segundo o professor Geraldo Coelho, Belém é a única capital que detém um monumento em referência ao marco histórico no cenário político brasileiro. “Das cidades brasileiras, só Belém tem um conjunto escultórico desse porte, enaltecendo a república e hoje nós vemos o monumento deteriorado, pichado, agredido por sucessivas administrações”, critica, ao lembrar a importância da data. “Justos Chermont foi o primeiro governador republicano a assumir no Pará de 1889 a 1891. Era o momento de uma crise econômica da borracha que foi se agravando e culminou no desenvolvimento político de novas estruturas de poder diferente do império”.
Abandono
De passagem por Belém, o vigilante Átila Correa até deduz, pela data cravada em parte do monumento, o que ele representa. Pela importância e beleza do monumento, porém, ele também esperava que fosse melhor cuidado. “Eu não sei o que significa. Sou de Barcarena, mas venho sempre aqui e nunca atentei para o que ele deveria significar”, admite. “Mas pela data alí de 15 de novembro, a gente imagina. Mas teria que estar muito melhor cuidado do que está. Isso é uma questão de preservação do patrimônio público”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar