Aquecido pelo aumento das vendas de final de ano, o comércio da Região Metropolitana de Belém deverá abrir até dezembro, pelo menos, cerca de dez mil novos postos de trabalho. Parte desses empregos, rotulados como “temporários” em virtude de seu caráter sazonal, acaba na verdade se tornando permanente, dependendo da aplicação, da aptidão e do desempenho do trabalhador.
O número de novos empregos é estimado pelos dirigentes empresariais do setor nos seus diversos segmentos, incluindo os lojistas, magazines e supermercados. Os artigos eletrônicos, com destaque para os tablets e aparelhos celulares, pontificam desde já como as principais vedetes desse esperado boom de consumo do final do ano, segundo previsão do presidente da Associação Comercial do Pará, Sérgio Bitar.
Os empresários consideram que as vendas no comércio – e por consequência a abertura de novas vagas de trabalho – começam a “esquentar” exatamente agora, a partir da segunda quinzena de novembro. Essa previsão, lastreada na experiência, encontra respaldo também nos estudos e nas planilhas técnicas elaboradas pelo Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
O economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese no Pará, destacou esta semana que, a partir do dia 20, começa a ser paga a primeira parcela do 13º salário aos trabalhadores ativos, inativos e pensionistas do setor público. No fim do mês, será a vez dos trabalhadores do setor privado. Com o pagamento da parcela final do 13º salário, no mês que vem, mais os salários de dezembro, e somando-se a isso o movimento financeiro gerado pelo Círio no mês de outubro, ele concluiu que beira a casa de R$ 4 bilhões o volume de recursos injetados na economia paraense somente no último trimestre do ano.
Turbinado com esse volume extra de dinheiro, segundo Roberto Sena, o fim do ano promete uma “movimentação forte” em praticamente todos os setores econômicos, principalmente o comércio. Como reflexo dessa movimentação, conforme frisou o supervisor técnico do Dieese, as contratações temporárias poderão alcançar mais de oito mil trabalhadores neste fim de ano na Grande Belém, a maioria deles no setor comércio.
Acrescentou que outros indicadores respaldam também essa expectativa favorável. Um deles, segundo Roberto Sena, é o fato de ser o Pará, hoje, o líder em toda a região Norte na geração de empregos, com a abertura de mais de 400 mil novos postos de trabalho por ano. “O aspecto negativo é a elevada rotatividade e baixa permanência desses empregos, o que nos remete à dolorosa e preocupante constatação de que mais da metade da nossa mão de obra disponível não está qualificada para atender às exigências do mercado”, finalizou.
Otimismo
O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas), Jorge Colares, disse esta semana que o segmento se mantém numa expectativa moderadamente otimista com relação às vendas neste final de ano. Ele disse que vem observando e analisando os dados da conjuntura econômica e ressaltou que as análises, pelo menos por enquanto, não dão margem a entusiasmo muito grande nem permitem uma opinião conclusiva.
“É claro que não podemos deixar de crescer. Eu acredito num aumento das vendas entre 8% e 10%. Se passar disso, acho que será pouco”, afirmou Jorge Colares, acrescentando que esse esperado crescimento nas vendas não será decorrente do aumento do poder de compra da população, mas do aumento do universo de consumidores. “A população do Pará vem tendo um crescimento muito forte e hoje já está próxima da casa de 8 milhões de pessoas. Isso naturalmente acaba se refletindo no movimento do comércio”, aduziu.
Jorge Colares assinalou que o segmento lojista mantém, para este final de ano, uma expectativa “muito boa” em relação à expansão do mercado de trabalho no setor. “A nossa expectativa é que todo esse pessoal será empregado”, disse ele, completando que só no segmento lojista deverão ser criados cerca de 6 mil novos postos de trabalho. “A oferta de empregos começou em outubro, mas vai crescer exatamente agora, a partir da segunda metade de novembro”, finalizou.
Supermercados esperam crescer 10% nas vendas
O presidente da Associação Paraense de Supermercados, José Oliveira, disse que o setor trabalha com a perspectiva de um crescimento real nas vendas em torno de 8% a 10% no período festivo de final de ano. Isso, acrescentou, para os supermercados. Para os magazines, é possível que o aquecimento das vendas venha a alcançar a casa de 15%. Para o dirigente empresarial, também presidente do Grupo Formosa, se esses números se confirmarem, o setor já se dará por satisfeito.
José Oliveira observou que, por enquanto, ainda não houve no segmento supermercadista sinais visíveis de aquecimento das vendas, o que costuma acontecer com a aproximação do período natalino. Ele sugeriu que os juros altos talvez possam estar levando o consumidor a adotar este ano uma postura mais cautelosa. De qualquer forma, conforme frisou, é preciso esperar um pouco para ter uma visão mais nítida do quadro, visto que começa exatamente agora a fase normalmente mais dinâmica do comércio para as festas de fim de ano.
Esse é também o ponto de vista do presidente da Associação Comercial do Pará, Sérgio Bitar. As opiniões de ambos são convergentes, inclusive quando o assunto é a geração de empregos temporários em decorrência do crescimento das vendas, fenômeno que se manifesta com mais força no comércio sempre no final do ano. Os dois chamam a atenção, também, para o aspecto relativo da expressão “emprego temporário”. É que muitos trabalhadores admitidos agora, conforme frisaram, acabam sendo efetivados e passam à condição de permanentes por conta da aptidão e do desempenho.
Sérgio Bitar se mostra cauteloso em relação a quantitativos, mas considera “perfeitamente factível” qualquer número entre oito e dez mil novos postos de trabalho que possam vir a ser gerados no comércio da Região Metropolitana até o final de dezembro. Isso, diz ele, envolvendo tanto os supermercados quanto os magazines, que hoje funcionam agregados a muitas lojas do segmento.
Para o presidente da ACP, os artigos eletrônicos devem continuar sendo os maiores responsáveis pelo aumento do consumo, seguidos do setor de vestuário, calçados e outros com menor peso no movimento do comércio. Sérgio Bitar chama a atenção para enorme variedade de produtos eletrônicos hoje oferecidos pelo mercado, e que tanto podem ter caráter lúdico como se prestam à atividade prática.
“São muitos os brinquedos que agregam também os modernos recursos da informática”, disse ele, citando como exemplo os tablets, hoje uma febre de consumo entre crianças e adolescentes. O comércio, conforme sugeriu Sérgio Bitar, deve estar atento às mudanças dos hábitos de consumo da população para poder dar respostas imediatas às novas demandas.
(Diário do Pará)
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