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Riscos para a saúde no uso de anabolizantes

Com 17 anos de idade e pesando cerca de 50 Kg, Bruno Costa teve pressa em ganhar massa muscular logo que começou a frequentar uma academia. Passados sete meses de malhação sem que alcançasse o resultado esperado, o rapaz foi atraído pela rapidez oferecida

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Com 17 anos de idade e pesando cerca de 50 Kg, Bruno Costa teve pressa em ganhar massa muscular logo que começou a frequentar uma academia. Passados sete meses de malhação sem que alcançasse o resultado esperado, o rapaz foi atraído pela rapidez oferecida pelos anabolizantes. Passados mais de seis anos, descobriu os prejuízos que o uso de tais substâncias tinham lhe trazido.

Bruno conta que os produtos chegaram até ele ainda na academia que frequentava. Curioso para entender a celeridade com que outros alunos da academia ganhavam massa muscular, não foi muito difícil chegar aos anabolizantes vendidos, à época, por R$10.

“Sempre começa com aquela curiosidade: o que as outras pessoas tomavam? Aí não demorava muito até alguém falar dos anabolizantes. ‘Está a fim? Não faz mal!’”, conta, ao lembrar dos diálogos que lhe apresentaram a substância. “Eu sabia que fazia mal, apesar de todo mundo sempre dizer que não fazia. Mas a gente pensa que tem o controle disso e não tem. Fui me iludindo. No começo, não senti nada, porque a dosagem foi pequena, mas a gente vai vendo um resultado e quer sempre mais, aumenta a dosagem”.

Tendo usado anabolizantes até os 23 anos de idade, foi apenas após uma pausa nos exercícios e na tentativa de retornar à rotina que Bruno percebeu os malefícios que a atitude tomada ainda na adolescência lhe causaram.

“Eu parei de tomar e de malhar por causa de um acidente de trânsito. Nesse momento, todo o músculo que eu tinha adquirido se transformou em gordura. Quando eu voltei a malhar e pensei a usar de novo o anabolizante, eu comecei a passar mal do estômago”, revela. “Fiz uns exames e deu que eu estava com úlcera e princípio de câncer no estômago. O médico perguntou se eu usava alguma substância e eu disse que já tinha usado. Ele só disse: ‘Está explicado’”.

Orientação

Tendo conseguido evitar o câncer e com a manutenção de exercícios físicos aliados a uma alimentação saudável, Bruno só tem uma orientação a dar hoje. “Se eu pudesse dizer algo a todos os jovens, hoje eu diria que nem começassem a usar isso. Procurem um médico, um bom personal. É melhor passar um ano na academia para conquistar o corpo que deseja do que conquistar esse objetivo rápido e se destruir por dentro”, aconselha. “Hoje, o meio que eu tenho para desenvolver o meu corpo é a alimentação correta. Demora, mas dá resultado”.

Coração, fígado e rins são os mais afetados

De acordo com o médico cardiologista Luiz Bezerra, os malefícios gerados à saúde pelo uso de anabolizantes são muitos e podem ser agravados com o uso prolongado. Segundo ele, o coração está entre os órgãos mais afetados. “O coração, o fígado e os rins são os mais afetados. No homem, pode gerar câncer de próstata e, na mulher, câncer de ovário”, alerta. “No coração, ele provoca um aumento no músculo que pode alterar o ritmo cardíaco, podendo levar a pessoa até a uma morte súbita. Ele ainda aumenta a quantidade de coágulos e diminui a quantidade do colesterol bom, que protege o coração, e aumenta o colesterol ruim. As pessoas que fazem uso de anabolizantes têm um risco muito grande de sofrer um AVC ou um infarto agudo do miocárdio”.

Ainda segundo o médico, não é incomum que usuários dessas substâncias também desenvolvam cânceres. “O anabolizante é um hormônio semelhante à testosterona, mas as pessoas que fazem uso dele usam uma quantidade que é 50 vezes maior do que o corpo precisa”, explica. “Em uma quantidade elevada, pode provocar uma mutação genética que multiplica o número de células e isso acaba sobrecarregando o fígado, causando nódulos”.

Efeitos colaterais

Apesar de serem conhecidos pelos efeitos causados nos músculos, os anabolizantes (drogas derivadas do hormônio testosterona) também causam efeitos como crescimento do pelo facial, acnes, engrossamento da voz, alterações na genitália, distúrbios do comportamento, retenção de líquidos no organismo, aumento da pressão arterial, além de poder colocar em risco a vida do usuário.

(Diário do Pará)

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