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Sindicato denuncia abandono das seccionais

O Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Estado do Pará (Sindpol) fez diligência, na noite de ontem, às Seccionais Urbanas da Marambaia e Sacramenta, em Belém, e constatou o oposto do discurso proferido em peças publicitárias do Estado. “A

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O Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Estado do Pará (Sindpol) fez diligência, na noite de ontem, às Seccionais Urbanas da Marambaia e Sacramenta, em Belém, e constatou o oposto do discurso proferido em peças publicitárias do Estado. “A gente mostra que tudo o que o governo do Estado diz é mentira, que as delegacias estão abandonadas e que não têm condições para o servidor trabalhar. Onde foi parar o dinheiro dos investimentos anunciados?”, questiona Pablo Farah, diretor jurídico do sindicato.

Na Seccional da Marambaia, apenas um banheiro está disponível para atender servidores e população - os outros dois banheiros estão interditados-; as lâmpadas da recepção estão queimadas e somente uma viatura atende às demandas. “Só pega no empurrão”, reclama um servidor que prefere não ser identificado.

No plantão, um delegado, um escrivão e dois investigadores. O sindicato denuncia que às 20h um policial é deslocado para a Unidade Pro Paz (UPP) do Distrito Industrial. O ambiente escuro já está assim há duas semanas e os banheiros estão interditados há pelo menos um mês.

Na Seccional da Sacramenta, o mofo e as infiltrações tomam conta do local. Ao abrir a porta de onde os Boletins de Ocorrência são registrados, o odor do mofo logo invade as narinas. Próximo ao ar-condicionado antigo, as infiltrações estão mais do que visíveis. São elas que proporcionam o ambiente perfeito para os fungos e o mofo.

O piso da sala à direita está solto. A cada passo, as lajotas estalam. Algumas já estão quebradas e, com a falta de iluminação, a sujeira e o abandono dão ao local um tom soturno e pesado. A área está totalmente sem utilização, sem as mínimas condições de usabilidade e segurança. O terreno e o prédio são grandes e subaproveitados, em virtude das reformas que os funcionários mais antigos nem sequer lembram quando foram feitas.

“Tô aqui há cinco anos e nunca vi isso nem sendo pintado”, reclama um servidor. A seccional, assim como muitas outras, não conta com alojamentos para os funcionários que tiram plantão 24h. “A gente não tem um lugar para descansar, nem que seja um pouquinho”, lamenta.

“Já pedimos a interdição dessa delegacia e nunca foi solucionado. Denunciamos ao delegado geral, Ministério Público, secretário de Segurança, Tribunal de Justiça, todos os órgãos competentes”, afirma o diretor social José Pimentel. O Sindpol alega que laudos do IML e bombeiros já condenaram o prédio e pediram a interdição do mesmo. Quando chove, o acesso à delegacia fica comprometido em virtude dos alagamentos. “Alaga tudo aqui. Enche tudo na frente”, completa.

Relatório

Um relatório de setembro de 2013, elaborado pelo Sindpol, que pontua os problemas encontrados durante visitas às delegacias de Moju, Gurupá, Concórdia do Pará, Conceição do Araguaia, Floresta do Araguaia e Mãe do Rio, no interior do Estado, destaca uma série de descasos com as instalações e denuncia o sistema de plantão de sete dias trabalhados para sete de descanso ou quinze de trabalho e quinze de descanso.

Segundo o sindicato, até agora a situação continua a mesma, sem nenhuma melhoria. “Nada, nada foi feito. Eles dizem que estão investindo, que muitas delegacias do interior estão sendo reformadas e construídas, mas a gente sabe que a grande maioria está assim, faltando estrutura para o servidor trabalhar”, destaca Farah.

Na próxima terça-feira (26), os policiais civis do Estado deflagram greve. Entre as reivindicações, melhores condições de trabalho, banheiros femininos, alojamentos e regulamentação da jornada de trabalho.

Resposta

A Polícia Civil afirma que, desde o início de 2011, medidas estruturantes são tomadas para melhorar os serviços prestados nas unidades policiais do Pará e cita construções e reformas de unidades no Estado. “Em 2011, foram 18 obras e, no ano passado, o número de obras aumentou para 39, entre reformas e construções de novas delegacias”.

Ainda segundo a nota, até o fim de 2013 está prevista a execução de 71 obras, totalizando 128 unidades construídas ou reformadas em três anos. “Até o fim de 2014 a meta do governo do Estado é construir 80 novas Unidades Integradas Pro Paz (UIPPs), que serão instaladas em diversos municípios do Estado, para dispor, em um mesmo espaço, do atendimento social e das presenças das Polícias Civil e Militar”.

A PC acrescenta que, em 2011, houve a substituição de 163 viaturas por outras mais adequadas ao serviço policial.

Afirma ainda que está prevista a aquisição de mais 243 viaturas para substituição das atuais e aumento de frota. “O governo do Estado ainda adquiriu novas 500 pistolas calibre .40 e mais 50 espingardas de caibre 12. Também estão, entre os investimentos, a aquisição de 1.229 coletes balísticos aos policiais civis e 600 novos computadores para as delegacias, entre outros equipamentos”.

(Diário do Pará)

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