"Se as empresas investirem em jornalismo, não haverá crise”. Por mais óbvio que seja, foi esse o conselho dado pelo CEO da International Newsmedia Marketing Association (INMA), Earl J. Wilkinson aos participantes do Seminário Internacional 2013, promovido pela associação com o tema “Monetizando o novo ecossistema da mídia impressa + digital”, que reuniu em São Paulo por dois dias no início deste mês representantes e executivos dos principais jornais nacionais e internacionais para discutir práticas e modelos de trabalho financeiramente sustentáveis para os impressos.
O evento foi realizado nos dias 6 e 7 de Novembro, no Hotel Caesar Business, e contou com a presença de mais de 100 pessoas, entre jornalistas e executivos de veículos como The New York Times (representado por Christopher LaLime), Le Figaro (representado por Eillen Le Muet), Axel Springer (editora alemã representada por Pit Gottschalk) e membros do The Wall Street Journal, Estado de S.Paulo, Estadão, Folha de S. Paulo, Zero Hora, entre outros. O DIÁRIO também marcou presença no evento através do diretor-presidente Jader Barbalho Filho, que comandou um dos painéis do encontro, onde falou sobre a experiência de sucesso e a trajetória vitoriosa do jornal líder de mercado no Pará.
Os participantes do seminário tiveram acesso às novidades do mercado e discutiram possibilidades de unir mensagens ao conteúdo publicitário, de forma rentável para leitores e veículos, seja em impressos ou digitais. Os palestrantes apresentaram experiências sobre a transição de suas empresas para o modelo multiplataforma.
Wilkinson disse que erram os profissionais que preveem a morte do papel. “Na verdade, estamos passando por transformações. Quem investir só no impresso, morrerá. Assim como quem investir só no digital. Mas, se as empresas investirem em jornalismo, não haverá crise”, afirmou. Não misturar transformação com morte é o primeiro passo, segundo o executivo.
“Todos estão caminhando numa única direção, que é o mundo digital, mas seremos as duas coisas: impresso e digital”. Independentemente do formato, conteúdo deve estar em primeiro lugar de investimento. Wilkinson contou que dar atenção a soluções para os anunciantes é fundamental. E aconselhou: “Só baseie sua estratégia no que não vai mudar. O que não vai mudar na sua empresa daqui 10 anos?”
Ele citou o jornal carioca “O Globo” que está um passo à frente dos outros, já que investiu em geolocalização e aplicações para plataformas móveis. Além disso, revelou que vídeo online será a principal oportunidade para 2014. “A única maneira de ganhar dinheiro com vídeo é usando escala e segmentação. O modelo é importante por causa da ligação do consumidor com a tecnologia”.
Para Wilkinson não se pode achar que a redação tem que cuidar de tudo. O CEO da Inma alerta que o sucesso com vídeos está atrelado a profissionais especialistas para lidar com o formato, além de inteligência para criar, comprar e, também, usar conteúdo gerado pelo usuário e anunciante. “Quem investiu em vídeo já ganhou muito dinheiro neste ano. Precisa de desenvolvimento de produto, conversar com os membros e criar ideias concretas”, finalizou.
Prioridade é a informação
Reinventar é a palavra da vez nos grandes jornais impressos e foi um dos principais assuntos debatidos no seminário da INMA. Em 2012, veículos importantes desapareceram devido à baixa circulação, como Jornal da Tarde, Marca Brasil, Diário do Povo, Diário de Natal, Quatro Rodas Moto e Valor Invest. Executivos de grandes veículos nacionais e internacionais contaram suas experiências e apostas inclusive para os próximos anos. No Brasil, o que deu certo e as mudanças realizadas nos jornais Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo, Zero Hora, Diário do Pará e Gazeta do Povo foram revelados.
Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de São Paulo, lembrou que grandes jornais estão em busca de diversificar fontes de receita sem perder a qualidade de informação e força de marca. “É complicado fazer previsões no nosso negócio. A única certeza é que temos que fazer jornalismo de qualidade e sempre reforçar a marca”.
A Folha decidiu adotar o pay wall e cobrar pelo seu conteúdo, independentemente da plataforma que seja exibido. “Quando começamos a pensar nessa cobrança, os jovens repórteres da redação defenderam que informação na internet não deveria ser cobrada, mas sim livre, como é por definição na Web. Levamos isso em conta, mas também tínhamos como premissa de que o jornalista deveria ser pago pelo seu trabalho e conteúdo de qualidade custa caro”. O resultamos foi, segundo ele, mais audiência e crescimento em assinaturas digitais.
Para Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Estadão, a tecnologia chegou para ficar, mas o Brasil ainda usa o fator multimídia como enfeite, como eram a ilustração e a foto na década de 1980. “Ainda não incorporamos o efeito multimídia na narrativa, na construção da pauta. Nem toda matéria, por exemplo, admite vídeo. Como gestores de processos, temos que ter essa consciência”, pondera. Gandour avalia que a tecnologia tem que ser introduzida como front de conteúdo. “No primeiro semestre do ano que vem vamos adotar o pay wall. Acredito que o modelo pago vai prosperar, mas temos que lidar com a curva de aderência. Creio que o futuro do jornalismo de qualidade passa pela assinatura paga. A nossa única riqueza é a marca.”
DIÁRIO se reinventou para continuar crescendo
O desempenho do DIÁRIO DO PARÁ em 2012 surpreendeu ao mercado e muitas pessoas, mas não àqueles que fazem o jornal e que ajudaram a tornar realidade projetos vitoriosos. No INMA Awards desse ano, o jornal levou 11 medalhas e venceu em cinco categorias: “Campanha de Marketing com os Melhores Resultados”, com o Guia de Profissões; “Reconhecimento de Marca Através de Plataforma”, com série de reportagens; ações pelos 30 anos, e também “Nova Marca/Produto/ Desenvolvimento de Audiência”, com o projeto Era do Ferro. Também tirou o primeiro lugar por “Leitura/Uso das Publicações Impressas”, com a revista D Semanal e Impressão de Venda Avulsa.
No seminário, Jader Filho explicou aos participantes de que forma os projetos foram idealizados e como se tornaram sucesso de público no jornal. A busca constante por processos para reinventar a publicação e continuar crescendo foi a receita apresentada pelo diretor presidente do DIÁRIO. “A nossa redação precisava ser fortalecida, então trabalhamos com três frentes: redação, marketing e gestão. Hoje, todo o planejamento é feito nesse tripé”.
A ação de marketing conjunta com a redação conquistou ótimos resultados, como, por exemplo, o projeto “A Era do Ferro”. “Foram 12 reportagens especiais e, a cada jornal, as pessoas ganhavam peças para montar maquetes referentes à história da cidade na época onde o ferro dominava a arquitetura em Belém”.
Jader diz que o jornal descobriu que os leitores queriam conteúdos educativos por meio de pesquisas. “Discutimos e tentamos entender a sociedade, o que ela quer. Não podemos continuar como veículos tradicionais. Temos concorrentes fortes como TV e precisamos nos reinventar para poder competir”.
Ascânio Seleme, diretor de Redação de O Globo, lembrou que o jornal não é mais somente produto impresso, mas um conjunto de outros ativos. “Quando se trata de conteúdo, temos que ter foco nesses pontos: profundidade, multimídia e mobilidade. Para continuar no mercado, tem que investir cada vez mais em profundidade nas histórias”, analisa.
Jornal é o 1º da região a ser premiado
O INMA Awards foi criado em 1935. A premiação ocorre todos os anos. O objetivo é valorizar projetos, publicações e estratégias de marketing desenvolvidos para melhorar a relação com leitores e parceiros e que tenham como resultado a conquista de novos públicos.
Os prêmios recebidos pelo DIÁRIO foram recebidos no dia 30 de abril passado no hotel Marriott Marquis, em Nova Iorque, e quebrou uma escrita: um jornal do Norte do Brasil, o primeiro entre todos, alcançava o reconhecimento internacional sendo um dos mais premiados do mundo. (Redação do DIÁRIO com informações do Portal Comunique-se).
(Diário do Pará)
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