O déficit habitacional no Estado do Pará caiu de 14,9% em 2007 para 11,3% em 2012. Na Região Metropolitana de Belém, a queda foi ainda maior, passando de 13,7% para 9,6% comparado o mesmo período. Em todo Brasil, o déficit habitacional nos últimos seis anos também caiu e, embora, em termos absolutos tenha recuado em todas as faixas de renda, ficou mais concentrado entre as famílias que ganham até três salários ou R$ 2.034 por mês. Os dados fazem parte de estudo divulgado ontem, 25, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos demais estados, o comportamento geral foi de queda. No Centro-Oeste, à exceção do Mato Grosso do Sul, houve aumento do déficit absoluto. O déficit em São Paulo manteve-se estável, com leve incremento de 0,6% em valores absolutos. Na região Nordeste, apenas os estados do Rio Grande do Norte e Sergipe mantiveram índices crescentes, enquanto no Norte do país, os estados de Roraima, Acre, Amazonas e Roraima apresentaram alta do déficit habitacional.
Considerando as regiões metropolitanas, apenas Fortaleza e o Distrito Federal apresentaram elevação do déficit absoluto. Na primeira, contudo, o aumento absoluto não acarretou alta em termos relativos, já que houve um aumento do total do número de domicílios. Outro aspecto importante refere-se à participação do déficit metropolitano no déficit total dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, concentrando mais que 50% do total estadual em ambos.
No Pará, em 2007 havia um déficit absoluto de 279.349 unidades habitacionais, Em 2012, passou para 246.372, com uma queda de 11,3%. A precariedade das moradias e a coabitação são os componentes mais presentes no déficit habitacional do Pará. No ano passado, mais de 78 mil residências estavam em estado de precariedade. A coabitação atingiu 112.500 residências paraenses.
Déficit habitacional é o número que mede a necessidade de reposição do estoque de moradias existentes (que são incapazes de atender dignamente aos moradores, em razão de sua precariedade ou do desgaste pelo uso ao longo do tempo), bem como o número de moradias que precisam ser construídas para atender famílias que estão em situação de coabitação forçada (compartilham unidade habitacional sem que este seja seu desejo).
A atualização do déficit é um dos meios para que se avalie a política habitacional brasileira. “Mas é importante lembrar que a produção habitacional de interesse social, ainda que intensa, não necessariamente terá impacto imediato e direto na queda do déficit. A formação acelerada de novos domicílios e a valorização imobiliária devem ser levados em conta, especialmente nos casos em que as unidades de análise não acompanharam uma tendência geral de queda do déficit habitacional”, revela o estudo do Ipea.
Entre os anos de 2007 e 2012, o déficit habitacional total no Brasil recuou 6,27% em termos absolutos, de 5,59 milhões de domicílios para 5,24 milhões. Essa queda ocorreu ao mesmo tempo em que houve aumento de 12,6% no total de domicílios, de 55,918 milhões para 62,996 milhões. Assim, em termos relativos, o déficit caiu de 10% do total de domicílios para 8,53% entre aqueles dois anos.
São Paulo lidera o déficit habitacional em termos absolutos, na casa de 1,1 milhão de domicílios entre 2007 e 2012, enquanto na maioria dos Estados a tendência observada foi de queda. Mas com o aumento do número de domicílios o déficit relativo (em relação ao total) caiu de 8,8% para 7,9%. As regiões Sudeste, com 39%, e Sul, com 11%, concentram 50% do déficit, com redução do déficit relativo e absoluto em todos os Estados, com exceção de São Paulo. Em termos de redução do déficit relativo, os destaques foram Rio Grande do Sul (queda de 32%) e Espirito Santo (26,1%).
O déficit habitacional rural representa 15% do total e caiu cerca de 25%, tanto em termos absolutos quanto relativos.
(Diário do Pará)
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