O governo estadual não paga há seis meses a ajuda de custo às pessoas que fazem tratamento para doenças crônicas renais e distúrbio mental, o chamado Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Desesperadas, as famílias dos doentes não sabem a quem recorrer. O dinheiro é repassado pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sespa) para as coordenadorias regionais dos municípios, mas o órgão diz que está com dificuldades para fazer os pagamentos.
“O nosso sofrimento é muito grande e já disseram, no governo, que não há previsão de quando o dinheiro cairá na conta. A aflição aumenta porque há gastos com remédios, transporte e alimentação”, disse Ilmar Saraiva, que tem um filho com distúrbio mental. Ela, que mora em Santa Izabel, informou que outras mães e mulheres de renais crônicos enfrentam o mesmo problema.
O valor depositado mensalmente pelo governo, enquanto dura o tratamento, chega a um salário mínimo, mas em muitos casos essa quantia é bem menor. Ainda assim, o atraso prejudica os doentes, pessoas extremamente carentes.
Atrasos
Outras mulheres que estiveram na redação do DIÁRIO relataram que os atrasos nos pagamentos já tinham cessado e voltaram a acontecer no começo do segundo semestre, sem que o governo oferecesse qualquer justificativa.
A situação é mais dramática nos municípios de Santa Izabel, Bujaru, Santo Antônio do Tauá e São Caetano de Odivelas. Sem o dinheiro, a rotina das famílias dos doentes se transforma em martírio. Primeiro, é preciso sair de casa bem cedo, aguardar por longo tempo o transporte e, ainda, enfrentar uma longa distância até o local do tratamento. Isso tudo três vezes por semana.
Os últimos seis meses têm sido um martírio para quem mora na zona rural desses municípios. Muitas mulheres conseguem com parentes o dinheiro da passagem de ônibus para trazer os filhos para tratamento em hospitais como Ophir Loyola e Divina Providência.
“Chego a passar fome na rua e, às vezes, nem dinheiro tenho para comprar uma garrafa de água mineral para meu filho doente”, desabafa chorando M.M.E, que se diz humilhada pelo governo.
As notícias para quem depende dessa ajuda financeira não parecem boas. A Sespa, segundo um coordenador regional, teria informado que não há previsão de pagamento dos seis meses atrasados.
Se o pagamento não ocorrer até o próximo dia 15, data em que o governo fecha suas contas anuais, somente em fevereiro de 2014 o dinheiro será liberado. A Sespa informou que os pagamentos referentes ao TFD dos municípios do 2º Centro Regional de Saúde começarão a ser empenhados a partir desta segunda-feira.
(Diário do Pará)
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