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Ação envolveu 120 escolas e 6,7 mil alunos

“Eu aprendi que eu tenho que ajudar”. A frase da pequena Catarina Oliveira, de apenas 7 anos, aluna do Centro Educacional Christi, em Ananindeua, poderia, por si só, resumir o resultado da primeira fase da ação “Agentes do Bem”, que terminou nesta sexta-f

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“Eu aprendi que eu tenho que ajudar”. A frase da pequena Catarina Oliveira, de apenas 7 anos, aluna do Centro Educacional Christi, em Ananindeua, poderia, por si só, resumir o resultado da primeira fase da ação “Agentes do Bem”, que terminou nesta sexta-feira, depois de atingir 120 escolas em 20 bairros e mais de 6.700 estudantes em pouco mais de um mês de atividades. Catarina é uma criança como qualquer outra: corre, brinca, fala, tem visão e audição perfeitas. Mas ontem, em uma das últimas visitas da campanha às escolas, ela participou de uma dinâmica lúdica, por dois minutos, com os olhos completamente vendados. E então, em frente a todos os colegas de classe, se permitiu sentir como seria se não pudesse enxergar, como seria difícil levantar, pegar um balão e levar de um ponto a outro da sala de aula sem tropeçar, sem cair. A expressão de alívio da garotinha ao tirar a venda era mais do que visível. E era reflexiva, de quem se colocou no lugar do outro e viu como tudo poderia ser diferente. “Agora eu sei que quem não enxerga precisa de ajuda, e que eu tenho que ajudar”, declarou.

A lição aprendida pela garotinha e por tantos outros alunos que receberam de braços abertos o trabalho envolvendo noções de cidadania e inclusão social desenvolvido pela ONG Centro de Voluntariado Ação Voluntária, em parceria com o grupo RBA, ganhou um eco maior na manhã de ontem, em um dos momentos que marcaram o encerramento do programa neste ano de 2013. Sob os aplausos de dezenas de estudantes da sexta e sétima séries do Ensino Fundamental do Colégio Universo, os irmãos gêmeos Ícaro e Ítalo Pinheiro, de 8 anos, cursando a segunda série do Ensino Fundamental na escola municipal Alda Eutrópio, no bairro do Bengui, foram presenteados com um aparelho de karaokê doado pelos organizadores do projeto. Ítalo tem 100% de deficiência visual, enquanto Ícaro tem um olho totalmente comprometido e o outro com baixa visão - o que os tornou apaixonados pela ideia de ouvir a própria voz.

“Eles escreveram uma cartinha ao Papai Noel pedindo um microfone!”, relata a professora dos dois, Denise Marruaz, que está se especializando em Educação Inclusiva. O pedido emocionou os organizadores da ação Agentes do Bem, que acharam justo presenteá-los com o aparelho.

Brincalhões e alegres como qualquer criança de sua faixa etária, os garotos foram eleitos ali mesmo, sem qualquer formalidade ou programação, símbolos do que um agente do bem é capaz de fazer ao respeitar e entender que as diferenças pedem atenção, e não segregação.

Depois de muitas rejeições, os irmãos acharam apoio na escola onde hoje estuda uma das mais de 120 crianças que receberam a ação Agentes do Bem. “Esses garotos são meus heróis”, declarou Sílvio Garrido, da ONG Centro de Voluntariado Ação Voluntária, que coordenou os trabalhos desse projeto. “Anjos ajudam a quem precisa, por isso o trabalho ganhou as asas como símbolo. O Ítalo e o Ícaro estão aqui porque acharam esses anjos, esses agentes do bem. E vocês também são esses agentes, vocês também precisam ajudar a quem precisa”, reforçou, falando aos estudantes do Universo. “Hoje eles são símbolos de todos os alunos que carecem de atenção e estão aqui para lembrar isso a vocês”.

Outros futuros

“A Sociedade Civil, as empresas, todos precisam se juntar em mais ações como essa. Quando vejo o desempenho do Ítalo e do Ícaro, a interação deles com os colegas, que são solidários, que percebem e ajudam quando eles têm dificuldade, é algo que me emociona muito. É preciso abrir essa percepção para as crianças, para que no futuro essas diferenças, que não precisam existir, realmente não existam”, comentou Denise.

“Quanto mais parceiros, melhor. Nós sempre abraçamos qualquer projeto que tenha como objetivo promover a inclusão social de pessoas com deficiência e o Agentes do Bem teve um resultado muito bom. A gente podia ver no rosto das crianças que elas se sensibilizam quando se colocam no lugar de quem tem uma dificuldade, seja de andar, enxergar, ouvir”, ressalta Iolanda Corrêa, também professora no bairro do Bengui e ligada ao Centro de Referência em Inclusão Educacional (Crie), da Secretaria Municipal de Educação. “Foi muito gratificante ver a reação dos professores, que chegavam para nos dizer, depois de receber o Agentes do Bem, que querem manter essas ações por conta própria, dentro de programações da própria escola”, comemorou.

A gerente de marketing do grupo RBA, Daniella Barion, acompanhou o último dia da primeira fase da ação. “Estamos no quarto ano do projeto Orgulho de Ser do Pará, e nele foi inserida a ação ‘Agentes do Bem’ porque trabalhar as noções de cidadania em crianças é essencial para o futuro. A parceria com a ONG Centro de Voluntariado Ação Voluntária resultou em um trabalho muito importante e que teve uma adesão muito significativa. Tanto escolas públicas como privadas mostraram que existe interesse muito grande em explorar essa temática”.

Participe

COMO INSCREVER SUA ESCOLA:

Agende a visita dos Agentes do Bem à sua escola para as próximas fases do projeto pelo site http://orgulho. diarioonline.com.br/ cadastre-escolas.php.

MAIS SOBRE O PROJETO

Fones: 8133-2024 / 8162-0980

E-mail: atitudesquetransformam@gmail.com

(Diário do Pará)

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