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Avanço do HIV ainda preocupa no Pará

Da explosão de medo dos anos 80 ao avanço silencioso na segunda década deste século, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (cuja sigla em inglês é Aids) deixou de ser uma sentença de morte para se tornar uma doença crônica, mas que continua fazendo vít

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Da explosão de medo dos anos 80 ao avanço silencioso na segunda década deste século, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (cuja sigla em inglês é Aids) deixou de ser uma sentença de morte para se tornar uma doença crônica, mas que continua fazendo vítimas e sendo alvo de preocupação dos governos e das Organizações Não Governamentais que tratam do assunto.

Tratamento adequado para quem foi contaminado pelo vírus HIV - causador da doença - e ações de prevenções para evitar novos casos são os desafios em pauta neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids. “Não temos o que comemorar porque a Aids continua avançando e causando mortes”, diz o presidente do Grupo de Valorização e Dignificação do Doente de Aids (Paravidda), Jair Santos. O grupo atende hoje cerca de 1,5 mil pessoas que convivem com o vírus. Recebe doentes do interior do Estado que vêm fazer tratamento na capital, fornece alimentação e atende também crianças em uma creche.

Embora o Brasil tenha hoje uma das melhores políticas públicas de tratamento e controle da doença - reconhecidas internacionalmente -, Jair diz que, em relação à informação, ainda há muito o que fazer. “Não basta distribuir o preservativo gratuitamente se essa ação não for acompanhada de conscientização. A pessoa vai guardar, usar para fazer balão no Carnaval e não vai usar e isso faz com que a doença avance”, defende.

Desde que foi descoberto o chamado coquetel antirretroviral, ser contaminado pelo Vírus HIV deixou de ser uma sentença de morte, mas a doença ainda não tem cura, embora com o controle via medicamentos os pacientes possam levar uma vida quase normal. “Tenho uma vida igual a de qualquer pessoa que tem uma doença crônica. Trabalho, estudo, namoro. Só preciso adequar minha vida ao fato de precisar tomar o remédio”, diz Maria Silveira, 36 anos. Ela descobriu que era portadora do vírus há 13 anos. De lá para cá, já passou por quatro esquemas de tratamento diferentes. O último foi iniciado há seis meses com menos efeitos colaterais. “Os primeiros coquetéis me davam insônia, depois perdi muito peso, tive anemia severa, falta de apetite. Com este atual estou mais adaptada”, conta Maria que não lembra nem de longe a imagem dos doentes de Aids que assustaram o mundo nos anos 80 e 90.

O coquetel é distribuído gratuitamente nos postos de saúde do País. O tratamento foi garantindo por lei em 1993 e, graças a isso, o Brasil se tornou referência mundial no controle da doença. Mas nem tudo são flores nessa história.

Desafios

No Pará, o tratamento ainda não está disponível em todos os municípios, o que faz com que muitos portadores do vírus tenham que percorrer grandes distâncias em busca de diagnóstico e dos remédios. Diante dessas dificuldades, alguns abandonam o tratamento e acabam engrossando as estatísticas de morte.

A doença que poderia estar controlada ainda faz vítimas fatais no Estado. Em 2009, foram 432 mortes. Em 2010, esse número aumentou para 489 e, em 2011, chegou a 513 mortes. A faixa etária mais afetada vai de 19 a 39 anos, jovens com vida sexual ativa, pouca informação sobre a doença ou que simplesmente se recusam a usar o preservativo. “A maioria dos casos de contaminação se dá por via sexual “, diz a coordenadora do programa de DST Aids da Secretaria de Estado de Saúde, Déborah Crespo.

Em 2011, foram registrados 1.504 novos casos de pessoas contaminadas com o vírus no Pará, sendo 907 homens e 597 mulheres. No ano passado, esse número foi de 1.270, dos quais 761 do sexo masculino e 509 do sexo feminino. Belém lidera o número de registros. Em todo Estado há 4,8 mil pessoas em tratamento.

Dos 144 municípios, apenas em 61 é possível fazer o exame gratuitamente. Destes, 21 têm serviços de assistência e em apenas 18 é feito o tratamento. Os prefeitos alegam que faltam profissionais (médicos e farmacêuticos) para manter os centros de atendimento. Para minimizar o problema, a coordenação de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde está criando um sistema de atendimento via teleconferência que vai funcionar todos os dias. “Ainda não existe uma vacina contra a Aids nem cura, mas há formas de tratamento cada vez mais eficientes. O paciente pode morrer por qualquer outra complicação, mas não pela doença se seguir o tratamento à risca”, diz Déborah Crespo, alertando que os pacientes precisam manter a medicação e fazer o controle periódico da doença.

(Diário do Pará)

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