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Moradores cobram verba para saúde em Salvaterra

“Onde está o dinheiro dos remédios de Salvaterra?”. É o que questionam os moradores do município da ilha do Marajó, no Pará. Segundo eles, os postos de saúde estão sem medicamentos, o Hospital Municipal não possui médicos plantonistas e funcionários estão

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“Onde está o dinheiro dos remédios de Salvaterra?”. É o que questionam os moradores do município da ilha do Marajó, no Pará. Segundo eles, os postos de saúde estão sem medicamentos, o Hospital Municipal não possui médicos plantonistas e funcionários estão sobrecarregados de trabalho.

Cansada de procurar o posto de saúde Lauro Souza e o hospital local sem receber medicamentos para hipertensão arterial, a moradora Liana de Fátima Viégas Santos resolveu fazer um protesto solitário: ela saiu pelas ruas da cidade com uma roupa de TNT onde podia ser lido: “Onde está o dinheiro dos remédios de Salvaterra?”.

Em novembro deste ano, servidores da saúde denunciaram ao DOL e ao DIÁRIO o abandono do setor no município.

RECURSOS

O Ministério da Saúde suspendeu os repasses de incentivos financeiros, referentes ao mês de setembro, a 285 municípios do país, entre eles Salvaterra. A suspensão foi divulgada no Diário Oficial da União e, de acordo com a publicação, é motivada por irregularidades cadastrais dos profissionais no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES). O valor mensal que a cidade deixará de receber é de R$ 18,2 mil.

Uma comissão formada por vereadores do município criou um relatório mostrando a situação dos postos de saúde. De acordo com o relatório, assinado pelo vereador Niécio Bastos (PT), as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Postos de Saúde da Família (PSFs), das comunidades da zona rural de Salvaterra, estão com recursos alocados para reforma e ampliação, desde novembro de 2012.

Farmácia do posto de Condeixa: faltam medicamentos

DEMISSÕES

Há denúncias ainda, de servidores, sobre demissões contra médicos que contestam a situação da saúde no município. É o caso do médico Paulo Marcelo Braga. “Além de não oferecer condições adequadas de trabalho, o prefeito ainda afronta a lei trabalhista, perseguindo e caloteando profissionais de saúde que contestam as irregularidades praticadas contra o povo salvaterrense", afirma o médico.

Segundo o médico, o prefeito Valentim Lucas de Oliveira (PSDB) determinou que a secretária de saúde, Leila Maia, retirasse os nomes dos profissionais de saúde da folha de pagamento, pagando-os através de recibo, “com o objetivo de calotear o pagamento do terço de férias e do 13º salário de médicos, dentistas e enfermeiros”.

OUTRO LADO

Em contato com a reportagem do DOL, o prefeito Valentim justificou dizendo que os problemas que ocorrem na saúde de Salvaterra são os mesmos que existem em outras cidades. “Se falta recurso para as capitais, imagine para uma cidade pequena como Salvaterra”.

Segundo ele, as demissões que ocorreram no município foram de “médicos que não queriam trabalhar”.

Ainda de acordo com ele, cinco postos de saúde serão reformados e entregues até julho do ano que vem.

(Antonio Santos/DOL)

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