A Secretaria Nacional da Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) divulgou ontem o resultado da primeira edição da Pesquisa Nacional de Vitimização com índices que, infelizmente, não surpreendem. De todos os estados da federação e mais o Distrito Federal, é do Pará o segundo lugar no ranking da violência contra pessoas: 35,5% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de crime - agressão, discriminação, furto de objeto, fraude, acidente de trânsito, roubo de objeto, furto de carro, ofensa sexual, furto de moto, roubo de carro, roubo de moto e sequestro relâmpago - nos últimos 12 meses, perdendo apenas para o Estado do Amapá. Em Belém, a coisa piora e o índice pula para 41,1%, também atrás somente da capital amapaense. A média brasileira por Estado é de 21%, segundo a pesquisa.
Paralelo a esse quadro, os números do Pará mostram ainda que a confiança nas forças armadas do Estado está mais do que em baixa. Para a Polícia Civil, a confiabilidade ficou em 9% (25º lugar), enquanto que para a Polícia Militar, o índice foi de 8,9% (26º lugar).
O estudo foi realizado pelo Datafolha e acompanhado pelo Centro de Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E foram realizados mais de 82 mil questionários em todos os estados e capitais. A versão completa do documento está disponível para download no site do Ministério da Justiça.
A pesquisadora Jane Melo, membro do Observatório de Violências nas Escolas – Núcleo Pará, ligado à Universidade da Amazônia, afirma que os resultados não envolvem uma questão pontual, mas sim um acúmulo de falhas que tem a ver com centenas de anos de ausência de investimentos no desenvolvimento da população, mas ao mesmo tempo admite que a falta de compromisso das autoridades, os baixos investimentos e a corrupção desenfreada contribuem para agravar ainda mais esse panorama. “Temos uma falta de compromisso com a reversão da realidade”, afirma. “Não podemos justificar a atualidade por um passado histórico. Várias gerações já se passaram e pouca coisa mudou. Há efetivamente um baixo investimento educacional, quando se compara a outras realidades mundiais, como também um alto índice de corrupção, o que ‘corrói a coisa pública’. Os dados estatísticos mudam para melhor, mas não de forma substantiva”, explica. “Continuamos muito aquém daquilo que se pretende como ideal. A educação neste país não é prioridade e as consequências são cada vez piores”, avalia.
Segup diz que desconhece os parâmetros da pesquisa
Procurada pelo DIÁRIO para comentar os resultados da pesquisa, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) enviou dados sobre queda na taxa de homicídios entre 2010 e 2011 (15,78%), de acordo com o Mapa da Violência 2013 - Homicídos e Juventude no Brasil (Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos - Cebela), acima da média nacional para aquele ano, de 27,1%.
O mesmo estudo, de acordo com a Segup, também apontava redução, para o período, de 54,9 para 40,9 só em Belém.
Informou ainda que, por ainda desconhecer a metodologia utilizada no estudo, estaria impossibilitada de tecer mais detalhes sobre a mesma.
(Diário do Pará)
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