Por várias vezes a aposentada Laura Costa, 68 anos, escapou de sofrer um grave acidente. Ela lembra que, num dia chuvoso, escorregou em um dos buracos descobertos localizado ao longo da rodovia BR-316, em Ananindeau, região metropolitana de Belém, à beira da calçada do ponto de ônibus. Mas, graças à ajuda de populares, a idosa não foi ao chão.
Por alguns poucos quilômetros, a equipe do DIÁRIO contabilizou aproximadamente cinquenta bueiros abertos nos dois sentidos de uma das rodovias mais movimentadas do Pará. Um descaso do poder público que põe em risco pedestres e ciclistas que precisam trafegar nesses locais.
Do shopping até o viaduto, dezenas desses buracos estão ali, nas esquinas e acostamentos da BR-316, e durante o dia passam quase despercebidos. Eles estão sem proteção alguma, entupidos de lixo, areia e até entulhos. Alguns cercados por pedaços de madeira na altura das pernas, justamente para servir de sinalização quando alagar. Outros estão quebrados e, em vez de o lugar do lixo ser na lixeira, as tampas rachadas acabam sendo depósitos feitos pela própria população.
Quando chove, os moradores de Ananindeua dizem que a situação é precária. Idosos, crianças e ciclistas padecem para atravessar de uma esquina a outra ou mesmo descer no ponto de ônibus se torna cada vez mais perigoso. Esses bueiros entupidos transbordam e a água contaminada se mistura ao alagamento no entorno. Isso deixa imperceptível a visão dos pedestres ao andar nessas beiradas. “São três dias para secar. Isso transborda, não tem como detectar o buraco, muito menos identificar a profundidade deles”, conta Zolenildo Lima, mototaxista.
Segundo ele, a situação se arrasta para pior há mais de dez anos. Nessas ocasiões, assaltantes se aproveitam para cometer crimes. “Não tem para onde correr, por onde passar. As pessoas ficam ilhadas nas paradas e ficam expostas”, revela. “Uma criança chegou a cair num bueiro porque não sabia da existência dele”, acrescentou.
Mais críticos
Há locais mais críticos, como, por exemplo, os pontos de ônibus próximo a um supermercado e uma universidade, no Km 2 da BR-316. No momento em que o DIÁRIO colhia depoimentos de trabalhadores, um ciclista precisou desviar de um enorme bueiro aberto. Para não cair no buraco, o homem precisou fazer uma manobra indo para mais próximo da pista, arriscando a própria vida. Exatamente nessa hora, um ônibus estacionava e por pouco não bateu no rapaz. “A dificuldade é grande para descer do ônibus. Alguns param longe das paradas porque tá tudo alagado”, diz Dam Alves, morador do bairro do Jaderlândia.
No dia em que a equipe saiu para a reportagem, chovia bastante, mas o ambulante Antonio Silva garante que o que foi registrado ainda não é tudo. “Têm dias muito piores. As paradas desaparecem. Já vi ciclistas, pessoas de idade e até crianças caírem várias vezes nos bueiros”.
A atenção redobrada é fundamental para impedir acidentes. Alguns motoristas também não respeitam o acostamento, tampouco optam por trafegar em baixa velocidade. De acordo com relatos de quem convive com a essa situação de perigo, é preciso fazer malabarismos para trafegar, principalmente em dias chuvosos, em segurança.
Ao invés de os bueiros servirem para escoar água, dezenas deles estão a céu aberto. Além disso, são três dias para o alagamento secar. “E tem que ser dia de sol”, acrescenta o ambulante.
(Diário do Pará)
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